“Os foguetes de garrafa PET podem te levar para onde os seus sonhos permitirem”, essa frase do coordenador da OBA e OBAFOG, professor e astrônomo João Canalle, foi o que impulsionou Anderson Pereira a criar um grupo de apaixonados por foguetes de diferentes regiões do país. A partir dessa inspiração, ele criou o Reino da MOBFOG.
A iniciativa criou um ponto de encontro de mais de mil entusiastas do foguete modelismo ligados à Olimpíada Brasileira de Foguetes (Antiga MOBFOG), entre alunos, professores e interessados na área. Para o idealizador, é um grupo de estudantes para estudantes. A comunidade nasceu com o objetivo de manter viva a troca de experiências entre os jovens que compartilham o interesse pela ciência, tecnologia e exploração espacial.
A ideia surgiu após a participação da sua equipe na Jornada de Foguetes de 2017, realizada em Barra do Piraí (RJ). O fundador do grupo já produzia conteúdos sobre foguetes no YouTube e, durante o evento, percebeu que muitos acompanhavam seu trabalho. Ao retornar para casa, sentiu falta de um espaço permanente para compartilhar informações, discutir resultados dos lançamentos e manter contato com os amigos que conheceu durante a competição. Foi então que nasceu o Reino da MOBFOG.
Desde sua criação, em 2018, a comunidade cresceu bastante. A cada edição da Jornada de Foguetes, novos participantes eram convidados a integrar o grupo principal, reunindo estudantes de diferentes gerações da competição. Hoje, o espaço abriga mais de mil membros e se tornou uma grande rede de colaboração científica.
Evolução técnica e compartilhamento de conhecimento

Segundo os organizadores, a troca de experiências vai desde o uso tradicional de garrafas PET até métodos mais sofisticados de reforço estrutural e aprimoramento aerodinâmico.
O ambiente colaborativo permite que todos compartilhem dúvidas, erros, testes e descobertas. As discussões incluem desde orientações básicas para iniciantes até temas avançados relacionados à aerodinâmica, estabilidade de voo e estratégias para melhorar o desempenho dos lançamentos.
Além dos assuntos ligados aos foguetes, o grupo também se tornou um espaço para debates sobre outras olimpíadas científicas e oportunidades acadêmicas, reunindo jovens que têm em comum a busca pelo conhecimento e pela inovação.
Incentivo à participação em competições científicas
Para os integrantes do Reino da MOBFOG, o compartilhamento de aprendizado motiva novos participantes a conhecerem eventos como copas de foguetes, torneios regionais e competições nacionais.
A comunidade também funciona como uma rede de apoio para quem está começando. Os membros mais experientes orientam os novatos, ajudam na interpretação de regulamentos e compartilham estratégias desenvolvidas ao longo dos anos de participação.
Multiplicadores da ciência

Uma das colaboradoras mais atuantes, Angélica Lopes faz parte do grupo há aproximadamente quatro anos, sendo três deles como administradora. “Tem sido um enorme prazer contribuir para essa comunidade e acompanhar de perto o crescimento de tantos estudantes que, assim como eu, são apaixonados pelas olimpíadas científicas”.
– Eu me encantei por esse universo quando estava no primeiro ano do Ensino Médio. Hoje, depois de quatro anos repletos de competições, oportunidades e conquistas, posso dizer com certeza que não faria nada diferente – comenta Angélica.
A estudante, que hoje cursa Engenharia de Produção na Uniso, em Sorocaba (SP), diz que a o grupo mostrou um Brasil unido pela ciência. “Além de me proporcionar muito conhecimento, também me deu a oportunidade de construir uma verdadeira família de fogueteiros espalhada por todo o país”.
– Esse é um dos principais motivos que me motivam a divulgar o grupo e acolher cada vez mais estudantes: para que eles possam se conectar, trocar experiências, aprimorar seus projetos de foguetes e, a cada dia, evidenciar ainda mais a importância das olimpíadas científicas na transformação da vida dos jovens – ressalta a estudante de engenharia.

Mais do que foguetes de garrafa pet
Além do aprendizado científico, o grupo proporciona amizades duradouras, experiências transformadoras e oportunidades que podem abrir portas em diferentes áreas do conhecimento.
O professor Inácio Júnior, que integra o grupo há menos de um ano, destaca que a comunidade tem sido fundamental para seu desenvolvimento na área. “A experiência tem sido extremamente significativa. Tenho aprendido muito com as trocas de conhecimentos, orientações e experiências compartilhadas pelos participantes”.
– O grupo tem agregado bastante à minha formação e ao meu desenvolvimento no foguete modelismo, ampliando minha compreensão sobre técnicas, regulamentos e práticas que contribuem para melhores resultados nas atividades e competições. Sem dúvida, é um espaço de aprendizado contínuo e de grande incentivo para quem deseja crescer nessa área – relata.
Já a estudante Nathalia Brechotte ressalta que o Reino da MOBFOG cria um ambiente propício para troca de ideias, esclarecimento de dúvidas e construção de novas amizades.
– É muito bacana ver que ali temos contato com professores, alunos e organizadores de todo o país! Isso faz com que o grupo seja um espaço aberto para tirar dúvidas, propor novas ideias para projetos e campeonatos, além de debater regulamentos e compartilhar experiências – diz.

Um legado que permanece
Entre as histórias mais marcantes da comunidade está a de Giovanni Fioravante, integrante que se tornou referência na modalidade Nível 6 da OBAFOG ao estabelecer o recorde de 672 metros de alcance. Falecido recentemente, Giovanni é lembrado pelos colegas não apenas pelos resultados alcançados, mas pela disposição em ajudar outros estudantes e compartilhar seus conhecimentos. “Seu legado continua inspirando novas gerações de fogueteiros”, comentam Anderson e Angélica.
Persistência que move os foguetes
Para quem está começando agora no universo dos foguetes experimentais e enfrentando algumas dificuldades, Anderson tem um recado bem claro: “não desistam”.
Ele comenta que a persistência é uma das características mais importantes para quem ingressa nesse universo. Como diz o professor Canalle, idealizador da OBA: “Os foguetes de garrafa PET podem te levar para onde os seus sonhos permitirem.”
– Por isso, mesmo que a caminhada seja desafiadora, vale a pena seguir em frente. Muitas portas se abrem, novas amizades são construídas, uma verdadeira família se forma e grandes oportunidades se espalham por todo o Brasil – conclui.



