Do celular ao telescópio: como qualquer pessoa pode explorar o universo

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Tibérius Drumond
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O céu é algo que encanta crianças, adolescentes e adultos. Além disso, é uma atividade livre, compartilhada por cientistas, observatórios profissionais como também por amadores. Com o avanço da tecnologia e o acesso a ferramentas cada vez mais simples, qualquer pessoa pode iniciar sua jornada na Astronomia. O mais interesse é que pode-se começar com o próprio celular.

A observação a olho nu é o primeiro passo. Identificar constelações, acompanhar as fases da Lua e reconhecer planetas visíveis já cria uma conexão direta com o universo. Com o uso de aplicativos e câmeras de smartphones, essa experiência evolui rapidamente, permitindo registrar imagens e aprofundar o conhecimento.

Para falar mais sobre os diferentes equipamentos utilizados para a observação das estrelas, a equipe da Comunidade Científica Jr conversou com o professor Ednilson Oliveira. Ele é professor do Colégio Colégio Dante Alighieri (SP), especialista em Astronomia observacional, astrofotógrafo, coautor do livro Astrofotografia Amadora no Brasil e colaborador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA)

Segundo o professor Ednilson Oliveira, a prática é essencial para transformar curiosidade em aprendizado. Ao avançar nessa jornada, entram em cena os telescópios, instrumentos que ampliam significativamente a capacidade de observação.

Principais telescópios utilizados nas atividades durante o treinamento da IOAA e OLAA

Durante as atividades práticas com os estudantes que estão se preparando para a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA) e para a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), diferentes tipos de telescópios foram utilizados para proporcionar uma experiência completa aos estudantes. Cada modelo possui características específicas e contribui de forma única para o aprendizado.

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Professor Ednilson Oliveira mostra os diferentes telescópios usados no treinamento

Refrator apocromático (130 mm)
Esse tipo de telescópio oferece imagens com alta nitidez e excelente correção de cores. É especialmente indicado para observações detalhadas e também pode ser utilizado na observação solar, desde que com filtros apropriados. Sua montagem equatorial permite acompanhar o movimento dos astros com precisão.

Schmidt-Cassegrain (6 polegadas)
Um modelo versátil e bastante utilizado, equipado com sistema automatizado (Go-To), que facilita a localização de objetos no céu. Com ele, os estudantes conseguem observar, por exemplo, aglomerados globulares e são desafiados a identificar o tipo de objeto observado apenas pela imagem na ocular.

Dobsoniano (modelo caseiro)
Conhecido pela simplicidade e facilidade de uso, é ideal para iniciantes. Com montagem azimutal, permite apontar rapidamente para diferentes regiões do céu. Nas atividades, os alunos utilizam esse tipo de telescópio para realizar verdadeiros “tours celestes” e testar sua agilidade na identificação de estrelas e objetos.

Aprender fazendo

Mais do que observar, os estudantes são desafiados a interpretar o que observam. Em algumas atividades, recebem poucos minutos para localizar e identificar objetos específicos, desenvolvendo habilidades como orientação no céu e reconhecimento de padrões.

A astrofotografia também surge como uma poderosa ferramenta de aprendizado. Utilizando câmeras acopladas aos telescópios — ou até mesmo celulares — é possível registrar imagens do céu e, posteriormente, analisá-las com mais profundidade.

Com técnicas de longa exposição e combinação de imagens, detalhes invisíveis a olho nu passam a ser revelados. Esse processo estimula o estudo contínuo e amplia o interesse pela Astronomia.

Livro Astrofotografia Amadora no Brasil

Livro Astrofotografia Amadora

Além das atividades práticas e da atuação na formação de estudantes, o professor Ednilson Oliveira também contribui para a divulgação científica por meio da produção de conteúdo especializado. Ele é coautor do livro Astrofotografia Amadora no Brasil, que surgiu durante o período da pandemia, quando ele e o também autor Fernando Menezes passaram a intensificar as observações do céu e os registros fotográficos. A partir dessa experiência, surgiu a ideia de reunir o conhecimento acumulado e valorizar o trabalho de astrofotógrafos de diferentes regiões do país.

A obra apresenta, de forma acessível, técnicas para registrar o céu em diferentes níveis de complexidade. O conteúdo vai desde a fotografia com equipamentos simples até métodos mais avançados, como longas exposições e empilhamento de imagens. O livro também orienta sobre o uso de câmeras acopladas a telescópios e até mesmo o registro do céu com celulares, reforçando que a prática da Astronomia pode começar com recursos básicos e evoluir conforme o interesse do estudante.

Uma jornada acessível

A experiência mostra que não é necessário começar com equipamentos sofisticados. Do celular ao telescópio, o caminho é progressivo e acessível, permitindo que qualquer pessoa dê os primeiros passos na exploração do universo.

Ao transformar curiosidade em prática, a Astronomia deixa de ser distante e passa a fazer parte do cotidiano, mostrando que o céu está ao alcance de todos.

Veja o vídeo com a entrevista completa

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