Estudantes selecionados em todo o Brasil participam do primeiro treinamento preparatório para a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA) e para a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), em uma imersão científica que combina teoria, prática e desafios de alto nível.
A etapa ocorreu entre os dias 13 e 17 de junho, no Hotel Fazenda Ribeirão, local já tradicional nas atividades da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG).
Imersão científica com atividades práticas e provas desafiadoras
Durante o treinamento, os estudantes enfrentaram uma programação intensa, que vai muito além das aulas tradicionais. O cronograma inclui desde oficinas práticas até simulações de provas oficiais internacionais.
Entre as atividades estão:
- Construção e lançamento de foguetes com garrafas PET
- Treinamento com telescópios e observação do céu
- Exercícios com carta celeste
- Atividades com planetário
- Oficina de paralaxe
- Provas teóricas e práticas

A programação é organizada para reproduzir o ambiente real das competições internacionais, exigindo dos participantes não apenas conhecimento, mas também estratégia e resistência.
Céu aberto e prova prática: experiência completa

Um dos momentos mais marcantes do treinamento foi a prova de observação do céu, realizada em condições ideais, segundo professor e astrônomo Júlio Klafke, membro da comissão organizadora da OBA.
Além disso, os participantes também enfrentaram avaliações teóricas, compondo um conjunto de provas que simula diretamente o modelo das olimpíadas internacionais.
Disputa por vagas para IOAA e OLAA
Ao todo, cerca de 40 estudantes participam desta etapa, disputando vagas limitadas para representar o Brasil em competições envolvendo astronomia, astrofísica e astronáutica no exterior.
– Os participantes estão competindo por 15 vagas. Cinco deles serão suplentes, cinco serão destinados à internacional (IOAA), que vai ocorrer no Vietnã, e 5 vão representar o Brasil na latino-americana (OLAA), que a gente espera que ocorra na Colômbia – diz Klafke.
O programa ainda inclui novas fases, com aumento progressivo do nível de dificuldade. “Teremos ainda mais dois treinamentos, com lançamento de foguetes, provas teóricas, um pouco mais elaboradas e com maior dificuldade”, diz Klafke.
Troca de experiências entre os estudantes
A professora Paula Saraiva, de Fortaleza (CE), do Colégio Farias Brito, destacou que uma das vivências mais marcantes da preparação é a integração entre os participantes, mesmo em um ambiente de disputa eliminatória.
– Os jovens se unem em prol de um bem que é o time do Brasil na IOAA ou na OLAA. Então, eles têm aquele momento de troca, falando onde eles erraram, onde eles acham que acertaram, dão o apoio moral e apoio emocional uns aos outros. Isso é muito gratificante de ver que além de ótimos alunos, eles são ótimos seres humanos – destaca a professora.
O professor de Física Ewerson Ribeiro, do COC Florianópolis (SC), destacou que as olimpíadas científicas possuem um papel fundamental na vida dos estudantes. Para Ribeiro, independentemente do jovem conseguir ou não a vaga, a experiência é uma jornada de grande aprendizado.
– Os alunos enfrentam desafios num patamar mais alto, dando a oportunidade de obter novos conhecimentos. Além disso, permite que os jovens possam interagir e compartilhar vivências com estudantes de outras regiões do país – comenta.
A aluna Clara Reis, 17, do Centro de Ensino Santa Rita de Cássia, de Sobradinho (DF), conta que gostou muito da preparação por trazer questões reais e problemas novos, principalmente nas provas teóricas e nas oficinas, como, por exemplo, de paralaxe. “As aplicações práticas ajudam a enxergar novas perspectivas, contribuem para ampliar a compreensão e o raciocínio flui”.

– Observei troca de ideias e muita união entre todos, apesar de ser uma competição. O treinamento transmitiu essa ideia de que realmente a ciência é uma coisa conjunta, é feita por todos, para todos. Eu acho que é a melhor parte da olimpíada – revela Clara.
Organização
A OBA é realizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com os Deputados Federais Tabata Amaral, Vitor Lippi, Ismael Alexandrino, Senador astronauta Marcos Pontes, Centro Universitário Facens, BTG Pactual, Bizu Space e Força Aérea Brasileira.
A OBA ainda tem como embaixadores os canais Manual do Mundo e AstroBioFísica.
Veja como foram os lançamentos de foguetes



