Olimpíadas Científicas, Show de Física e o livro do astronauta Marcos Pontes: a trajetória da Professora Salete Battilani

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Tibérius Drumond

Em uma cidade com cerca de 8 mil habitantes, onde não há universidade, teatro ou grandes centros culturais, a ciência ganhou palco. E desse palco, alunos descobriram que o mundo é maior do que o próprio CEP.

No videocast da Comunidade Científica Jr, a Professora Salete Battilani compartilhou uma trajetória marcada por olimpíadas científicas, criatividade pedagógica, protagonismo estudantil e encontros improváveis que mudaram o rumo de uma escola pública, além da transformação de conhecimentos teóricos, como, por exemplo, a física, química e a astronomia e espetáculos lúdicos.

A conversa revela como a ciência pode sair do livro e se transformar em experiência, espetáculo e transformação real.

A virada que começou com as Olimpíadas Científicas

A Professora Salete Battilani começou incentivando seus alunos a participarem da Olimpíada de Física. Logo na primeira participação, dois estudantes conquistaram medalhas. O resultado despertou algo maior: a percepção de que os alunos da cidade poderiam competir em alto nível.

Vieram outras iniciativas, como a Olimpíada de Química. Mas foi com a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) que a história ganhou novo patamar. A classificação de uma aluna para as seletivas nacionais mostrou que não havia limite geográfico para o talento.

A partir desse momento, as olimpíadas deixaram de ser apenas competição e passaram a integrar o projeto pedagógico da escola. A ciência virou estratégia de formação.

O impacto real das olimpíadas do conhecimento na vida dos estudantes

Durante o videocast, a Professora Salete Battilani destaca que o maior prêmio não é a medalha, mas o processo.

Ela relembra o caso de um aluno que estudava mesmo em condições adversas, chegando às fases finais da OBA. Anos depois, tornou-se médico. Não seguiu carreira na Astronomia, mas aprendeu algo essencial: disciplina, método de estudo e confiança.

Em uma cidade sem universidade, as olimpíadas ampliaram horizontes e fortaleceram a autoestima dos estudantes. Participar significava viajar, conhecer universidades, ouvir palestras e perceber que o futuro poderia ser diferente.

Como Marcos Pontes foi parar em uma cidade de 8 mil habitantes

Um dos momentos mais marcantes do relato envolve o encontro com o primeiro astronauta brasileiro.

Durante um evento no Ano Internacional da Astronomia, a Professora Salete Battilani levou 52 alunos para assistir palestras. Em um momento inesperado, Marcos Pontes tropeçou ao entrar no auditório e precisou se apoiar em seu ombro.

A resposta veio com humor: “Eu te desculpei, mas eu cobro.”

Ela cobrou uma foto com os alunos. Depois, cobrou algo maior: que ele visitasse sua cidade.

Meses depois, Marcos Pontes estava lá, falando para estudantes da escola pública. O que parecia improvável se concretizou. A ciência atravessou fronteiras.

O Show de Física: quando a aula virou espetáculo

⏱ Assista de 25:42 a 34:20

Inspirada em apresentações universitárias, a Professora Salete Battilani decidiu adaptar o formato para sua realidade.

Com criatividade e apoio da comunidade, construiu equipamentos, conseguiu nitrogênio líquido e organizou um espetáculo científico interativo.

O Show de Física envolvia música, participação da plateia e experimentos de forte impacto visual. Mas o aprendizado mais importante acontecia nos bastidores: alunos aprendiam a falar em público, improvisar, trabalhar em equipe e assumir responsabilidade.

O palco virou laboratório. A ciência deixou de ser apenas teoria e passou a ser vivência.

A filosofia do foguete e a força da resistência

Ao organizar um grande evento científico na cidade, a Professora Salete Battilani enfrentou resistência e tentativas de desmotivação.

Foi nesse contexto que ouviu uma frase marcante: “Para o foguete subir, precisa de força de arraste.”

A metáfora se tornou filosofia de vida. Obstáculos passaram a ser interpretados como sinais de crescimento. Em vez de desanimar, ela decidiu usar cada dificuldade como impulso.

A resistência virou combustível.

O nascimento do Astro Show

Depois do sucesso do Show de Física, surgiu um novo desafio: criar uma apresentação voltada exclusivamente à Astronomia.

Nasceu o Astro Show.

A proposta era transformar conceitos astronômicos em espetáculo interativo, mantendo o rigor científico e o encantamento. A iniciativa consolidou a identidade da Professora Salete Battilani como educadora que une ciência, criatividade e protagonismo estudantil.

Um legado que continua

Mesmo já tendo direito à aposentadoria, a Professora Salete Battilani segue ativa. Afirma que enquanto tiver energia, continuará criando oportunidades.

Sua trajetória demonstra que o impacto de um professor vai além do conteúdo curricular. Ele forma mentalidade, amplia horizontes e transforma realidades.

Em uma cidade pequena, a ciência ganhou palco. E do palco nasceram histórias que atravessaram o Brasil.

Veja o videocast na íntegra:

Leia mais e saiba tudo sobre as olimpíadas científicas

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