Estudante transforma experiência olímpica em iniciativa para ampliar oportunidades científicas

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Tibérius Drumond
Davi Teles - Estudante organiza grupo para incentivar colegas de escola em olimpíadas científicas - News - notícia olimpíadas científicas

As olimpíadas científicas abrem portas para que estudantes descubram novas possibilidades para se desafiar e se desenvolver. Foi assim o que aconteceu com o estudante Davi Teles Lopes, de Ipatinga, Minas Gerais. Antes de participar pela primeira vez da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), ele nem imaginava que poderia conquistar uma medalha em uma competição que não envolvesse esportes ou atividades físicas. E ela veio: uma medalha de ouro.

Para o jovem, foi um resultado surpreendente. “Até hoje eu não acredito que consegui ouro na minha primeira vez em uma olimpíada”, conta Davi, atualmente Embaixador Jr da Comunidade Científica Jr e presidente do Coletivo Olímpico de sua escola.

Foi neste instante que houve a virada de chave. A experiência mostrou ao estudante um potencial que ele próprio ainda não reconhecia e despertou o interesse por outras olimpíadas científicas, pelo conhecimento e pela ciência.

– Eu passei a estudar mais, querer descobrir cada vez mais coisas, desbravar o mundo através da ciência. E passei a acreditar que posso conquistar qualquer coisa, desde que eu me esforce – afirma.

Olimpíada científica gerou uma nova relação com os estudos

Davi conta que conheceu o universo olímpico sem grandes expectativas. Até aquele momento, pouco sabia sobre as diferentes competições de conhecimento existentes no Brasil.

Para ele, o resultado funcionou como um impulso para continuar buscando novos desafios. “Foi como se eu precisasse de algo para me alertar do poder que eu tenho dentro de mim. Depois da medalha, passei a confiar mais em mim mesmo”, relata.

Essa aproximação com as olimpíadas fez com que o estudante passasse um ano se dedicando às competições. Ao ingressar no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), em 2025, porém, percebeu que as olimpíadas científicas ainda tinham pouca visibilidade em seu ambiente escolar.

Naquele primeiro momento, Davi decidiu reduzir sua participação nas competições para se adaptar à rotina do Ensino Médio, mas a ideia de ampliar o espaço das olimpíadas dentro da escola continuou presente.

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Davi Teles na biblioteca estudando

Coletivo olímpico

Davi observava que a escola já contava com clubes esportivos, grupos de artes entre outros. Foi quando surgiu a pergunta: por que não criar também um coletivo dedicado às olimpíadas científicas? Em fevereiro de 2026, ele fundou o Coletivo Olímpico.

Logo após a criação, a iniciativa foi apresentada aos novos alunos e, com a ajuda de professores, gradualmente, passou a alcançar outras turmas. Em dois meses, o grupo de WhatsApp do coletivo já reunia mais de 60 estudantes. Atualmente, são 87 integrantes.

Preparatórios, divulgação e oportunidades

Como presidente do coletivo, Davi acompanha as atividades e organiza, ao lado da vice-presidente Isabella Silva, o cronograma mensal de olimpíadas e competições. As oportunidades são divulgadas pelas redes sociais e pelo grupo de WhatsApp. O coletivo também busca materiais gratuitos de estudo e incentiva a preparação dos estudantes.

Com apoio de professores, algumas competições passaram ainda a contar com atividades preparatórias. Entre elas esteve a preparação para a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), ministrada pelo próprio Davi, além de um preparatório para uma olimpíada de Língua Portuguesa.

As áreas que têm despertado mais interesse dos participantes são: Matemática, Geografia e Geopolítica, Línguas Portuguesa e Inglesa e Astronomia.

Mais de 35 medalhistas serão reconhecidos

Em outubro de 2026, o grupo pretende realizar uma Cerimônia de Medalhistas, reconhecendo mais de 35 estudantes da escola premiados em nove olimpíadas diferentes.

A expectativa é que a continuidade da divulgação ao longo deste ano ajude a fortalecer ainda mais o projeto em 2027. Com os estudantes mais familiarizados com o calendário olímpico, Davi acredita que será possível evitar a perda de prazos e ampliar a participação nas competições.

O coletivo também pretende estabelecer conexões com outras iniciativas ligadas à educação e às olimpíadas científicas.

– Nosso desejo é expandir ainda mais o Coletivo, na tentativa de integrá-lo com outros órgãos, como a Comunidade Científica Jr, o Instituto Seleta Educação e outros clubes olímpicos – diz.

“Comece falando sobre olimpíadas do conhecimento”

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Para estudantes interessados em criar iniciativas semelhantes em suas próprias escolas, Davi recomenda começar de maneira simples: conversando. “Comece a falar sobre olimpíadas para seus amigos e colegas. Mostre as oportunidades que elas dão, pois os alunos geralmente querem sempre algo a mais”, aconselha.

Segundo ele, reunir um pequeno grupo de interessados já pode ser suficiente para iniciar um clube. O diálogo com os professores também é fundamental, principalmente porque diversas competições possuem inscrições gratuitas realizadas diretamente pela escola.

Uma chance para descobrir novas capacidades

Para quem ainda evita as olimpíadas por acreditar que não possui conhecimento suficiente ou que as competições são atividades excessivamente difíceis. “As olimpíadas, no geral, não são conceitos decorados. Elas são raciocínio, criatividade, novas formas de pensar”, afirma.

Para Davi, o mais importante é experimentar: “Deem uma chance para as olimpíadas. Busquem o melhor que há dentro de vocês”, conclui.

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