Depois de mobilizar 75 equipes e 298 estudantes em 2025, a Olimpíada Nacional de Aplicativos – Etapa Rio de Janeiro (ONDA-RJ) enfrenta um novo desafio para 2026: conseguir recursos para viabilizar a realização da próxima edição. A organização busca patrocinadores e parceiros diante das dificuldades financeiras provocadas pela redução de recursos públicos destinados ao projeto.
Segundo a coordenação da ONDA-RJ, cortes recentes nos subsídios do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) afetaram o planejamento financeiro da competição. Entre as despesas necessárias para colocar a Olimpíada em prática estão os custos com a equipe de organização, avaliadores técnicos, infraestrutura e logística da etapa presencial, alimentação dos participantes no dia da final e outras demandas operacionais.
A Etapa Rio de Janeiro é coordenada pelos professores Bruno da Silva Miguel e João Luiz Almeida Glioche Gonçalves.
A busca por apoio envolve diferentes setores. A organização procura estabelecer parcerias com empresas, universidades, fundos de venture capital e investidores-anjo, além de outras instituições que possam contribuir para suprir a ausência dos recursos públicos e permitir a realização da competição.

Tecnologia para resolver problemas reais
A ONDA desafia estudantes a utilizar a tecnologia para pensar soluções relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A proposta é que as equipes identifiquem problemas, pesquisem sobre o assunto e desenvolvam projetos de aplicativos capazes de apresentar possíveis soluções.
Na edição de 2025 no Rio de Janeiro, o tema foi “Ação Contra a Mudança Global do Clima”, relacionado ao ODS 13. Os estudantes precisaram desenvolver não apenas uma ideia, mas estruturar um projeto e apresentar o funcionamento de um aplicativo.
O formato da competição também exige trabalho em equipe e diferentes habilidades. Na última edição, cada grupo deveria reunir de dois a quatro estudantes do Ensino Médio e um professor orientador, além da possibilidade de participação de um universitário ou estudante de curso técnico pós-médio como coorientador. As equipes precisavam contar obrigatoriamente com pelo menos uma representante do gênero feminino, como forma de estimular a presença de meninas na área tecnológica.
Depois das inscrições, os participantes desenvolveram o projeto do aplicativo e produziram um vídeo pitch apresentando a solução. Os dez melhores projetos avançaram para uma final presencial, realizada em formato de feira expositiva, na qual as equipes apresentaram suas propostas para uma comissão julgadora.

Do desempenho nacional à criação da etapa do Rio
A história da ONDA-RJ começou antes mesmo da criação da etapa estadual. De acordo com um dos professores responsáveis pela organização, equipes do Rio de Janeiro participaram durante alguns anos da etapa nacional e conquistaram resultados de destaque por três edições consecutivas.
A partir dessa trajetória, a coordenação nacional da Olimpíada convidou os professores envolvidos com as equipes fluminenses a organizar uma competição estadual. A proposta fazia parte de um movimento de expansão da ONDA, com etapas regionais que poderiam alimentar posteriormente a competição nacional.
Rio de Janeiro, Brasília e Espírito Santo estiveram entre os locais escolhidos para receber essas etapas. Com o passar dos anos, porém, a edição fluminense permaneceu ativa e chegou a 2025 com dezenas de equipes participantes.
Formação que vai além do aplicativo

Para os organizadores, a importância da competição não está apenas no produto tecnológico desenvolvido pelos estudantes. A ONDA-RJ estimula a pesquisa, a investigação científica, a inovação e o empreendedorismo ainda durante a Educação Básica.
A proposta também pretende aproximar tecnologia e questões sociais e ambientais, colocando os jovens diante de problemas atuais e incentivando a construção de possíveis soluções. O trabalho multidisciplinar e o incentivo à participação feminina na tecnologia aparecem entre os pilares da iniciativa.
A continuidade da ONDA-RJ, segundo a organização, significa preservar um espaço de formação que aproxima estudantes do Ensino Médio, professores e mentores acadêmicos e funciona como ambiente para o surgimento de novas ideias e tecnologias voltadas à sustentabilidade.
Agora, o desafio é fazer com que esse trabalho consiga chegar a uma nova edição. Enquanto a organização estrutura a ONDA-RJ 2026, a captação de parceiros e patrocinadores será um dos pontos decisivos para definir o alcance e as possibilidades da próxima competição.
Para quem quiser apoiar a ONDA-RJ, esses são os contatos dos coordenadores:
- Bruno da Silva Miguel
brunoef@ymail.com - João Luiz Almeida Glioche Gonçalves
joaoglioche@hotmail.com



