Laura Lorrana transforma paixão por olimpíadas científicas em incentivo para outros estudantes

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Tibérius Drumond
Laura Lorrana transforma paixão por olimpíadas científicas em incentivo para outros estudantes - News - notícia olimpíadas científicas

A estudante Laura Lorrana, de 14 anos, não permitiu que um momento de frustração a tirasse do universo das olimpíadas científicas. Hoje, acumula medalhas e ajuda outros jovens a encontrar oportunidades de descobrir seu talento por meio das olimpíadas do conhecimento.

O primeiro contato dela com o mundo das olimpíadas do saber esteve longe de terminar com uma medalha. Sem conseguir organizar bem o tempo, ela conta que entregou sua primeira prova chorando.

Mas ela não ficou paralisada. Ela usou esse episódio ruim para buscar forças para superar e criar uma nova trajetória. Com o incentivo do pai, a estudante seguiu participando de competições até transformar as olimpíadas em uma parte importante de sua formação.

Hoje, aos 14 anos, Laura cursa o 9º ano, do ensino fundamental, no Instituto Alpha Lumen, em São José dos Campos, interior de São Paulo. Além das conquistas acadêmicas, ela passou a compartilhar nas redes sociais informações sobre olimpíadas, oportunidades gratuitas e caminhos para outros estudantes que também desejam entrar nesse universo. Seu objetivo é fazer com que mais jovens descubram oportunidades que, muitas vezes, sequer sabem que existem.

Laura Lorrana transforma paixão por olimpíadas científicas em incentivo para outros estudantes
Laura Lorrana recebendo premiação na Onano

Como aconteceu seu primeiro contato com as olimpíadas científicas e quem mais incentivou sua participação?

Laura Lorrana: Meu primeiro contato com olimpíadas científicas foi uma catástrofe. Não consegui organizar o tempo e entreguei a prova chorando. Tive o incentivo do meu pai nos estudos. E busquei me motivar para continuar me preparando para as olimpíadas.

Você já conquistou mais de 120 medalhas. De quais olimpíadas participou e quais premiações foram mais marcantes em sua trajetória?

Laura: Já participei de mais de 300 olimpíadas, considerando diferentes edições ao longo dos anos. Reconheço muito as minhas premiações do começo, porque foram elas que me incentivaram a continuar. Com certeza, a parte mais difícil foi justamente começar.

Entre as minhas premiações favoritas estão a Honra ao Mérito na ONANO, em que gabaritei a prova; ouro na OLITEF, também com gabarito; três conquistas no Caça Asteroides; três ouros em uma competição que inclui uma conquista internacional e para a qual participei por convite; ouro na OBAFOG; além dos reconhecimentos como Aluna Destaque em Olimpíadas Científicas em 2024 e 2025. Também fui Aluna Destaque na Prova Anglo, em 2023, fiquei em primeiro lugar no preparatório Real Grana e recebi, em grupo com a equipe Alphire 26456, o Reach Award da FTC em 2024.

Além das medalhas, quais experiências, amizades e oportunidades as olimpíadas proporcionaram?

Laura: Networking, amizades com pessoas que têm os mesmos interesses que eu, estudos mais avançados e a felicidade pelo mérito. Também tive a oportunidade de viajar para Brasília com o Alphire, experiência que está entre os momentos importantes dessa trajetória.

Laura Lorrana - medalhista em olimpíada científica recebendo premiação

Em quais momentos você encontrou mais dificuldades? O que mudou em sua preparação?

Laura: Enfrentei muita dificuldade no começo até para encontrar olimpíadas das quais pudesse participar. Inclusive, hoje tenho uma planilha com 140 olimpíadas para ajudar estudantes que enfrentam esse mesmo problema.

Percebi que os esforços do começo valem a pena. Ninguém fica inteligente do dia para a noite. As perdas são difíceis, mas existem motivos por trás delas, e é melhor se divertir durante o processo. Também penso que é muito melhor receber um “não” no presente do que passar o futuro se perguntando o que poderia ter acontecido se você tivesse tentado.

Como você organiza sua rotina de estudos para participar de tantas atividades?

Laura: Tenho várias atividades extracurriculares e priorizo tudo o que faça sentido para o meu perfil. Estudo até as 21h30. Tenho uma planilha para registrar minhas premiações e outra para organizar as datas. Na preparação, gosto das aulas da Amplexo Educação, do Medalhei e também de aulas no YouTube.

Quando surgiu a ideia de criar um perfil para falar sobre olimpíadas científicas?

Laura: Eu queria mostrar aos estudantes como participar de olimpíadas é bom, como elas transformam vidas e também avisar que existem muitas oportunidades gratuitas nas quais eles mesmos podem se inscrever. Meu objetivo é claro: incentivar estudantes de todo o Brasil a participarem de olimpíadas científicas.

Você já recebeu mensagens de estudantes que decidiram participar depois de acompanhar seus conteúdos?

Laura: Recebo mensagens semanalmente sobre isso, principalmente relacionadas a premiações, e fico muito feliz. Uma história que me marcou foi a de um menino que me acompanha e participou da primeira simulação da ONU. Ele conseguiu uma Honorable Mention.

Laura Lorrana palestreando sobre olimpíadas científicas para outros estudantes - News - notícia  olimpíadas científicas

Como foi participar do projeto de busca por asteroides?

Laura: O Caça Asteroides do MCTI não é fácil. Exige muito tempo e compromisso, principalmente para aprender a utilizar a plataforma. Além disso, é necessário encontrar um asteroide preliminar para receber a premiação.

O que representou receber uma homenagem por suas conquistas?

Laura: A moção que recebi na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), honraria concedida pela deputada estadual Letícia Aguiar, foi um momento único na minha vida. Pude discursar sobre mulheres em exatas e a desigualdade econômica nos estudos. Isso foi gratificante, principalmente por ser um reconhecimento vindo do meu estado.

Quais são seus próximos objetivos?

Laura: Tenho como objetivo chegar a 60 mil seguidores até o final do Ensino Médio, passar em uma das melhores universidades da Inglaterra ou dos Estados Unidos e receber cada vez mais mensagens de estudantes que ficaram interessados em olimpíadas científicas por meio do meu conteúdo.

Que conselho você daria a quem ainda não conquistou uma medalha e pensa em desistir?

Laura: Começos são difíceis, mas valem a pena. Levei dois anos para conseguir a minha primeira medalha. Tenho certeza de que, no meio de tantas oportunidades, alguma vai dar certo. Continue e não pare no “não”. Erros são feitos para aprendizado.

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