Professor e alunos criam dispositivo inovador de desacoplagem para foguete multiestágio da OBAFOG

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Tibérius Drumond
OBFOG Olimpíada Brasileira de Foguetes Nível 6 - Professor Luís de Santo André, São Paulo, inova ao criar dispositivo de desacoplagem para foguetes multiestágio

Boas ideias nascem quando experiência e desafio se encontram. Foi exatamente isso que aconteceu no Colégio Stocco, em Santo André (SP). Quando o professor Luís Cordeiro Alves ficou sabendo do lançamento do Nível 6 da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG), em parceria com o Manual do Mundo, colocou uma nova pergunta sobre a mesa: como controlar, com precisão, a liberação do segundo estágio de um foguete?

Professor Luís de Santo André, São Paulo, inova ao criar dispositivo de desacoplagem para foguetes multiestágio - foi campeão na Jornada de Foguetes com seus alunos
Professor Luís exibe com orgulho os troféus conquistados pelos seus alunos na Jornada de Foguetes

O professor Luis conta que desde o início estabeleceu um princípio pedagógico claro. A solução precisava ser replicável, acessível e de baixo custo, algo que pudesse ser levado à competição, mas também compartilhado com outros estudantes e escolas. Não se tratava apenas de vencer um desafio técnico, mas de ensinar engenharia de forma concreta e democrática.

Luís diz que, quando tinha a idade dos alunos, construía e pilotava aeromodelos com o pai. O contato com servos usados para controlar profundor, leme e aileron foi o estalo que conectou passado e presente. A mesma lógica que guiava o voo de um aeromodelo agora poderia orientar o acionamento entre os estágios de um foguete estudantil.

A partir dessa orientação, surgiu a ideia de um sistema de controle por rádio, capaz de acionar o segundo estágio do foguete em tempo real, com custo inferior a R$ 200. Mais do que um recurso tecnológico, o projeto se tornou um exercício de tomada de decisão, planejamento e compreensão profunda da física envolvida no voo.

O funcionamento do sistema reflete a simplicidade aliada à inteligência do conceito. Um transmissor envia o sinal de rádio, enquanto um receptor embarcado no foguete interpreta o comando. Um servo, então, libera o “cap” que separa o estágio 1 do estágio 2. Dessa forma, o foguete já deixa o solo com o segundo estágio totalmente pressurizado, o que garante maior eficiência no lançamento.

Estudantes aceitam o desafio

Os estudantes Luigi Ewen e Bernardo Bertoa relembram que a ideia surgiu a partir de uma proposta do professor Luís Gustavo, que sugeriu a instalação de um sistema para controlar a saída do segundo estágio. A ideia inicial previa o uso de um sistema de aeromodelismo. “Porém, o sistema seria muito caro e inacessível, o que impediria que o projeto fosse facilmente replicado e aprimorado. Por isso, pensamos na utilização da placa LoRa”, explica Luigi.

Segundo Bernardo, os jovens utilizaram um conjunto de placas Heltec Lora V2, sendo uma com a função de “sender”, uma espécie de controle remoto. E a outra parte seria uma “receiver” que estaria acoplada no foguete, acionando o sistema de liberação do segundo foguete.

— Para isso funcionar, o Luigi ficou responsável pela programação do sistema e, com ele pronto, partimos para os testes. Primeiramente, analisamos o alcance em que o receiver conseguiria receber o comando. Em seguida, realizamos testes apenas com o sistema de vedação do segundo estágio. Por fim, fizemos testes reais com o foguete completo, o que gerou resultados positivos e nos permitiu levar para Jornada de Foguetes — diz Bernardo.

O professor Luís ressalta que a grande diferença está no controle do tempo exato da liberação. Enquanto muitos grupos dependem apenas de gatilhos mecânicos ou da pressão física, a solução permite escolher o momento mais estratégico do voo — seja no início da parábola, no ponto intermediário ou já durante a descida. Isso amplia as possibilidades de teste e transforma cada lançamento em um verdadeiro laboratório a céu aberto.

Professor Luís de Santo André, São Paulo, inova ao criar dispositivo de desacoplagem para foguetes multiestágio e exibe prêmio conquistado na Jornada de Foguetes OBAFOG nível 6
Professor Luís foi campeão com suas equipes na Jornada de Foguetes do nível 6, com foguete multiestágio

Mais do que um experimento técnico, o projeto evidencia o papel fundamental do professor como mediador entre conhecimento, criatividade e prática. Ao transformar vivências pessoais em estratégia pedagógica, Luís ajudou seus alunos a entender que ciência não é apenas seguir fórmulas, mas pensar soluções, testar hipóteses e aprender com cada escolha. Por outro lado, os estudantes encararam o desafio buscando soluções criativas para um problema complexo.

Iniciativas como essa reforçam o espírito das olimpíadas científicas, como a OBFOG e a Jornada de Foguetes: aprender fazendo, errar, ajustar e evoluir. E mostram que, muitas vezes, é a engenhosidade de um professor que dá o impulso inicial para que a ciência, de fato, ganhe asas.

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