Olimpíadas científicas formam jovens talentos: professor Heliomárzio Moreira

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Tibérius Drumond

Licenciado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e mestre em Ensino de Física pela Universidade Federal do Ceará (UFC), o professor Heliomárzio Moreira soma mais de três décadas de dedicação à astronomia. Astrônomo amador há 35 anos, ele começou lecionando nos cursos da Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia (SBAA) e hoje é referência nacional na preparação de estudantes para as maiores olimpíadas científicas da área.

Atualmente, Heliomárzio ministra aulas preparatórias para a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA) e a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA). Atualmente, é professor do Colégio Farias Brito, do Colégio Antares e do Colégio Teleyos, tem ajudado a consolidar resultados expressivos para o Brasil nas competições internacionais. Além da sala de aula, atua como astrofotógrafo no Observatório Astronômico Ferrucio Ginelli, localizado na Seara da Ciência da UFC.

Observatório Astronômico Ferrucio Ginelli

O esforço dos estudantes e o impacto humano da OBA

Na entrevista à Comunidade Científica Jr., Heliomárzio destacou como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG) e a Jornada de Foguetes vão além dos conteúdos cobrados em provas. Ele lembra das dificuldades enfrentadas por alunos que viajam longas distâncias para participar das seletivas presenciais, muitas vezes em condições desafiadoras.

Entrevista gravada em Barra do Piraí (RJ)


– É quase um ato de heroísmo quando o estudante consegue chegar até essas fases. São eventos demorados e cansativos, mas existe um espírito coletivo muito forte: um acolhe o outro. Muitos alunos me dizem que a OBA é uma das melhores olimpíadas porque é mais humana – relata.

O professor recorda a trajetória de César, estudante de escola pública do Ceará, apoiado pelo professor Edilson Clímaco. Para viabilizar sua participação nas seletivas, foram feitas campanhas e arrecadações. “Esses esforços mostram como a ciência também se constrói na solidariedade e no compromisso coletivo”, afirma.

Clubes de astronomia e multiplicadores do conhecimento

Desde 2016, Heliomárzio tem incentivado a formação de clubes de astronomia em escolas, iniciativa que vem crescendo exponencialmente. A proposta é simples e transformadora: colocar telescópios nos pátios durante os intervalos para despertar a curiosidade dos estudantes.
“O veterano acolhe o novato, e todos crescem juntos. Isso cria um ambiente de aprendizado colaborativo, no qual a astronomia se torna parte da cultura escolar”, explica.

Outro ponto de destaque é a parceria com a Seara da Ciência da UFC, usada como espaço neutro para integrar alunos de diferentes escolas. Lá, são realizados minicursos, oficinas, observações do céu e projetos ligados às olimpíadas. Bolsistas e voluntários aprendem a manusear desde equipamentos simples até instrumentos avançados, tornando-se multiplicadores da ciência.

Uma constelação de talentos brasileiros

Para o professor, acompanhar a evolução dos estudantes é motivo de orgulho e inspiração. Muitos ex-alunos hoje brilham no Brasil e no exterior, alguns chegando a assumir papéis de liderança em equipes de outros países durante competições internacionais.


“É emocionante ver como jovens que começaram nos clubes de astronomia ou nas seletivas da OBA hoje se tornaram cientistas, pesquisadores e líderes. Eles são, de fato, uma constelação de talentos que enriquece a ciência brasileira”, conclui.

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