No dia 11 de fevereiro, o mundo celebra o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, uma data que vai muito além da homenagem simbólica. Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015, a iniciativa chama atenção para a importância da participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), setores estratégicos para o desenvolvimento social, econômico e sustentável. Mais do que números ou estatísticas, a data fala de oportunidades, pertencimento e futuro.
Para aprofundar essa discussão, a Comunidade Científica Jr conversou com Josina Oliveira do Nascimento, física, mestre e doutora em Engenharia de Sistemas e Computação, servidora do Observatório Nacional (ON/MCTI) e gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência da instituição (DICOP).
Barreiras contra mulheres e meninas
Para a física, a data também evidencia que as barreiras enfrentadas por meninas e mulheres na ciência ainda são muitas e que o processo para combatê-las é lento. A pesquisadora destaca que as desigualdades atuais são resultado de séculos de exclusão e injustiças históricas. Em sua atuação próxima às escolas, professores e famílias, ela observa que esses obstáculos vão além do ambiente acadêmico.
– Em meio a tantos obstáculos, eu escolho falar sobre a massificação da informação: como as informações chegam às pessoas? Vindas de onde? Quais fanatismos são promovidos? Quais diversões são estimuladas em massa? Onde e em que as pessoas são levadas a gastar sua energia? Em que atividades existe o estímulo ao raciocínio? Quando começamos a pensar nas respostas, quase perdemos as esperanças. E isso é ainda pior para as meninas. Uma das consequências dessa massificação é o afastamento da ciência e a sensação de que cada pessoa não influencia em nada o futuro do seu bairro, da sua cidade, do seu país e do planeta – reflete.
Josina reforça que o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência serviu para impulsionar ações em escala global. Desde então, segundo ela, instituições científicas e educacionais passaram a lançar mais editais, criar projetos, vagas e políticas afirmativas, além de desenvolver iniciativas de diferentes dimensões para ampliar o acesso e a participação plena e igualitária das mulheres na ciência.
– O Observatório Nacional, instituição que eu amo e na qual trabalho há 46 anos, participa de projetos como o Jovens Cientistas, coordenado pelo CETENE; o Meninas do MAST, coordenado pelo MAST; e o Meninas e Mulheres na Astronomia, que coordeno pelo NOC Brasil – destaca.
Inciativas que aproximam a ciência do público feminino
A pesquisadora revela ainda que, no dia 11 de fevereiro de 2026, o Observatório Nacional lançará um edital de Programa de Iniciação Científica Júnior, voltado a meninas do ensino médio. A iniciativa oferecerá a oportunidade de desenvolver projetos de pesquisa em astronomia ou geofísica, acompanhadas por pesquisadoras da instituição.
– Inicialmente, vamos trabalhar com duas equipes, formadas por quatro meninas cada, mas a ideia é ampliar gradativamente o projeto – explica.

Além disso, Josina afirma atuar de forma contínua em iniciativas que buscam romper as barreiras que afastam meninas das carreiras científicas, especialmente por meio do apoio aos professores.
“Esses projetos oferecem suporte para que os docentes ministrem astronomia, conforme a BNCC, com alegria, prazer, precisão e carisma, de forma a empolgar os estudantes e alcançar até mesmo suas famílias”, afirma.
Entre essas ações estão a “OBA” e os projetos “Olhai pro Céu RJ” e “AstroEducadores”, que completaram 12 anos de atuação em 2025. Outra frente de trabalho destacada por Josina é a gestão da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP) do Observatório Nacional. O objetivo é atuar em múltiplas frentes, explicando fenômenos científicos, combatendo a fake news e compartilhando conteúdo confiável com a sociedade.
– O trabalho é feito sempre com precisão, prazer e alegria, usando uma linguagem que consiga atingir todas e todos. Também estamos trabalhando para ampliar a acessibilidade desse conteúdo. As ações são desenvolvidas por meio das redes sociais do Observatório Nacional, como Instagram, Facebook, YouTube e Spotify – explica.
Mensagem para as meninas

Ao deixar uma mensagem direta para meninas que gostam de ciência, mas ainda não se veem como futuras cientistas ou pesquisadoras, Josina é enfática:
“A ciência está em tudo que fazemos e o futuro está nas escolhas que fazemos hoje. Cada um de nós tem responsabilidade sobre o futuro do seu bairro, da sua cidade, do seu país e do planeta em que vivemos.
Mesmo que você não queira ser cientista, precisa entender os fenômenos que nos cercam no dia a dia. Basta começar a se perguntar sobre tudo ao seu redor.
Para aquelas que já se interessam pela área, o convite é direto: Se você gosta de ciência, veja-se como uma futura cientista. Vem com a gente. Entre nos projetos que as instituições científicas promovem. Vamos começar — e você nunca mais vai parar”.
Para quem quiser saber mais detalhes sobre as iniciativas do Observatório Nacional, basta enviar e-mail para: josina@on.br
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