A primeira edição da Olimpíada Nacional de Química Básica (ONQB) distribuiu 48 medalhas, sendo 13 de ouro, 19 de prata e 16 de bronze. Organizada por alunos do ensino médio, a ONQB contou com cerca de 600 estudantes inscritos em todo o país.
Estruturada em duas fases on-line, a ONQB combinou uma primeira etapa objetiva, comum a todos os níveis, e uma segunda fase com questões objetivas e discursivas, específicas por categoria.
A Primeira Fase aconteceu dos dias 8 a 15 de novembro de 2025, com uma prova objetiva. Para fase seguinte, foram classificados 142 alunos. O desafio foi composto por questões objetivas e discursivas específicas por nível e ocorreu dos dias 20 a 22 de janeiro de 2026.
No Nível 1 (Ensino Fundamental), foram concedidas 3 medalhas de Ouro, 5 medalhas de Prata e 4 medalhas de Bronze. No Nível 2 (Ensino Médio e Técnico), foram concedidas 9 medalhas de Ouro, 14 medalhas de Prata e 12 medalhas de Bronze. No Nível 3 (Categoria Aberta), foi concedida uma medalha de Ouro.
Segundo o estudante Tarso Caridade, coordenador-geral, o número menor de medalhas de Bronze no nível 2 se deu por conta do desempenho elevado dos participantes. “As notas estavam muito próximas, com pouquíssima diferença, o que levou a Comissão Organizadora a reconhecer esses resultados como compatíveis com medalha de Prata”.
O formato buscou ir além da memorização, privilegiando a interpretação, o pensamento crítico e a capacidade de expressão científica, especialmente nas questões abertas, apontadas pelos participantes como um dos grandes diferenciais da prova.
Veja o que os principais medalhistas acharam da ONQB

Josué Davi – Campeão geral do Nível 1
Josué Davi, de 15 anos, estudante da EREFEM Vigário João Inácio, em Buíque (PE), já participou de diversas olimpíadas científicas, como OBMEP, OBA, ONANO, ONEE e Mandacaru, conquistando medalhas de ouro, prata, bronze e menções honrosas. Ele relatou que decidiu participar da ONQB por gostar de desafios acadêmicos e por se interessar pela Química, área que, segundo ele, ajuda a entender fenômenos do cotidiano.
O estudante afirmou que sua preparação foi baseada em estudo constante e organizado, aproveitando conhecimentos adquiridos em outras olimpíadas. Na prova, destacou as questões que exigiam raciocínio e interpretação, avaliando que elas mostram se o aluno realmente compreendeu o conteúdo. Para Josué, o nível da avaliação foi adequado, exigindo atenção e leitura cuidadosa.
Ao comentar sobre a importância das olimpíadas científicas, Josué ressaltou que elas contribuem para o desenvolvimento da disciplina, da autonomia e da visão de futuro dos estudantes. Sua principal mensagem para quem ainda não participa é não esperar se sentir totalmente preparado, pois cada experiência já representa aprendizado.

Giovanna Fuglini Tamburi – Campeã geral do Nível 2
Giovanna Fuglini Tamburi, de 16 anos, estudante do Colégio Liceu Jardim, em Santo André (SP), contou que conheceu a Olimpíada Nacional de Química Básica por indicação do professor de Química, enquanto já se preparava para a Olimpíada Brasileira de Química (OBQ). Participante ativa do circuito olímpico desde o 9º ano, ela acumula medalhas em competições como OBG, Quimeninas, OBQ Júnior, OBA, Canguru, OBRL, além de olimpíadas de Química como a CARBON e a própria ONQB.
Sobre a prova, Giovanna destacou a diversidade de conteúdos e a presença de questões dissertativas como um diferencial. Segundo ela, a principal dificuldade não foi o nível do conteúdo, mas a necessidade de expressar corretamente o raciocínio no papel, usando a terminologia científica adequada. Entre os temas que mais gostou, citou a questão sobre a evolução dos modelos atômicos, por considerar importante compreender como a Química se desenvolveu ao longo do tempo.
A estudante afirmou que não esperava alcançar a maior nota da olimpíada e que seu objetivo inicial era avaliar o próprio nível de preparação. Para ela, participar de olimpíadas científicas traz ganhos acadêmicos consistentes e pode facilitar o ingresso no ensino superior por meio de vagas olímpicas. Seu conselho para novos participantes é estudar com profundidade e buscar ir além do conteúdo escolar.
Mariana Rodrigues da Cunha – Campeã geral do Nível 2 (empate)

Mariana Rodrigues da Cunha, de 16 anos, aluna do Colégio Gabarito, em Uberlândia (MG), decidiu participar da ONQB por enxergar as olimpíadas científicas como uma forma de aprender, testar conhecimentos e acompanhar sua evolução acadêmica. Ao longo de sua trajetória, já participou de competições como OBA, MOBFOG, ONC, Canguru, ONANO, ONE, OASTRA, OFIQ, ONPB e OVF, conquistando medalhas em várias delas.
Para Mariana, a prova da ONQB foi bem elaborada e equilibrada, com questões acessíveis para alunos do Ensino Médio que se dedicam aos estudos. Ela destacou positivamente as questões abertas da segunda fase, ressaltando que esse formato permite demonstrar o que foi aprendido sem ficar restrito a alternativas. Apesar de já ser medalhista em outras competições, afirmou que não esperava a primeira colocação geral.
A estudante relatou que não estava se preparando especificamente para uma olimpíada de Química, mas sim para vestibulares, e atribuiu o bom desempenho à base construída ao longo dos anos e ao apoio dos professores. Para ela, as olimpíadas ajudam a aprofundar conteúdos, contribuem para provas tradicionais e ainda permitem conhecer outros estudantes com interesses semelhantes.
Rafael Joaquim Parra – Primeiro colocado (Categoria Aberta)

Rafael Joaquim Parra, de 19 anos, é estudante do 1º ano do Bacharelado e Licenciatura em Química da Universidade de São Paulo (USP). Sua trajetória em olimpíadas científicas começou ainda no 6º ano do Ensino Fundamental, com a OBMEP, e desde então ele participou de dezenas de competições em diferentes áreas. Na Química, esteve presente em olimpíadas como OBQJr., OQSP, OBQ, TVQ, OBOQ, CLatQui e competições internacionais, como a IMChO e a OIAQ. Ao longo desse percurso, acumulou mais de cem medalhas, incluindo ouro na OIAQ, com troféu de melhor prova teórica, além de conquistas na OQSP, TVQ, OBESQ, OBBS, OBC e na IAAC, em que também obteve premiação internacional.
Rafael contou que decidiu participar da ONQB ao conhecer a divulgação feita pelo Colégio Poliedro, principalmente por se tratar de uma competição com Categoria Aberta, que permitia a participação de universitários e oferecia medalhas físicas. Segundo ele, a Química foi a área que despertou seu interesse pelas ciências desde cedo, motivado pela curiosidade em compreender a composição dos materiais e os elementos da tabela periódica.
Ele destacou o bom aproveitamento da Química Inorgânica nas duas fases e apontou a parte dissertativa da segunda fase como o ponto mais marcante, especialmente pelas questões que exigiam explicação conceitual e argumentação, além de raciocínio matemático.
Ele classificou o nível da prova como intermediário, situado entre a OBQJr. e as seletivas estaduais, com aprofundamento compatível com vestibulares como o ENEM, mas mantendo o estilo característico das olimpíadas científicas.
Entre as dificuldades, citou conteúdos de história da Química e experimentos clássicos, como o de Rutherford, temas que não vinham sendo estudados com frequência. Para ele, as olimpíadas científicas tiveram papel decisivo em sua formação, ajudando a definir sua trajetória acadêmica e profissional. Seu principal conselho para novos participantes é investir na prática, resolver provas anteriores e simulados e manter constância nos estudos, pois, segundo ele, o desempenho em olimpíadas depende tanto do domínio teórico quanto do treino contínuo.
Quem organiza a ONQB
A olimpíada é organizada pelos estudantes Tarso Caridade, fundador da ONQB, de Santos (SP), tendo Yasmin Lussac, do Rio de Janeiro (RJ), como vice-presidente. A organização conta ainda conta com o apoio dos jovens Larrisa Mendes (Afogados da Ingazeira – PE), Lara Frank (Petrolina – PE), Victória (São Paulo – SP), Wendy Oliveira (Itabuna – BA), Brenda Toledo (Juiz de Fora – MG) e Isabella Cortes (Macapá – AP), que atuam como embaixadores regionais.
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