Estudantes do ensino médio interessados em viver uma experiência real de pesquisa científica já podem se inscrever no Programa Cientista Mirim 2026, promovido pela Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB). As inscrições estão abertas até 25 de março e devem ser realizadas pelo site oficial do Instituto Butantan. A iniciativa seleciona jovens para desenvolver projetos científicos orientados por pesquisadores da instituição, aproximando estudantes do ambiente de laboratório e da prática científica.
Com duração de seis meses, o curso é presencial, gratuito e tem como objetivo estimular o interesse científico e desenvolver habilidades essenciais para o futuro acadêmico dos jovens adolescentes, com aulas teóricas e práticas nos laboratórios do Instituto Butantan para desenvolver um projeto previamente listado em edital com pesquisador-orientador designado. O programa tem início previsto para 2 de junho e se estende até dezembro. A participação nele é totalmente voluntária, não é remunerada e não estabelece vínculo empregatício entre o Butantan e o estudante. As inscrições devem ser realizadas por meio do site oficial.
Lançamento do programa
O lançamento do programa ocorreu em 25 de fevereiro, com a presença dos nove alunos na EE Alberto Torres. Cada jovem escolhido conta com um orientador para desenvolver um projeto ao longo de um semestre. No dia 4 de março, os jovens foram convidados para participar de uma aula expositiva no Auditório do Museu de Microbiologia. Eles tiveram um panorama sobre animais peçonhentos e venenosos. Além disso, foram ao laboratório do museu para observar glândulas produtoras de peçonha de jararaca e de veneno de um sapo em um microscópio.
“A ideia é situar os alunos dentro do viés toxinológico do Instituto Butantan. Então, como serão diferentes laboratórios que eles vão ocupar, acho que é importante dar uma formação ampla sobre os animais para que eles entendam de onde provém várias pesquisas que eles poderão, eventualmente, acompanhar dentro diferentes linhas da toxinologia”, explica Pedro Luiz Mailho Fontana, tecnologista de laboratório sênior situado no Laboratório de Biologia Estrutural, responsável pela aula inaugural.
Os cientistas mirins, curiosos, fizeram diversas perguntas conforme Pedro apresentava temáticas: “Os venenos de sapos ou perereca, tem soro para eles igual das serpentes ou não é comum?”, perguntou Fabiano Morais Affonso Filho. “Não vamos desenvolver soro se não tem sentido do ponto de vista epidemiológico ou se não acontecem rotineiramente picadas ou acidentes causados por esses seres vivos. Dá muito trabalho e é caro”, respondeu Pedro, aproveitando para explicar como é feito um soro e sua função. O soro é composto de anticorpos e diferencia-se, por exemplo, da vacina, que induz a formação de anticorpos no indivíduo.
A parceria inédita com os jovens no programa faz parte dos esforços de reaproximação do Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, com a escola centenária vizinha às suas instalações.
“Esse é um marco histórico desse trabalho conjunto que estamos investindo. Um resgate da história”, celebrou Rui Curi, vice-diretor do Instituto Butantan, durante a abertura do programa na escola, no final de fevereiro.
A parceria com a instituição de ensino segue moldes do Programa Cientista Mirim – que está com inscrições abertas –, e a edição Alberto Torres foi criada, organizada e coordenada por Vanessa Olzon Zambelli, pesquisadora do Laboratório de Dor e Sinalização (LEDS) do Butantan, e seus colegas Bianca Zychar, Hugo Vigerelli e Marcia Angare. O projeto teve ainda participação de Karina Cruz, coordenadora do Núcleo de Projetos e Cursos de Especialização da ESIB, que intermediou o caminho entre o corpo docente da escola e o Instituto Butantan.
“Temos tentado nos últimos anos essa aproximação com a escola. No final do ano passado, estabelecemos um protocolo de intenções que foi assinado entre o diretor Esper Kallás e a Associação de Pais e Mestres da escola. Nesse protocolo colocamos a disposição das duas instituições em estabelecer parcerias diversas. A primeira delas, inaugurando esse processo, é o Programa Cientista Mirim”, destacou Karina Cruz.
Entenda a relação da EE Alberto Torres com o Instituto Butantan
No século passado, a EE Alberto Torres esteve inserida dentro do mesmo espaço do Instituto Butantan, com o nome de “Escola Isolada Mista do Instituto Serumtherápico” na gestão de Vital Brazil, em 1908. Eunice Caldas, irmã de Vital, chegou a dar aulas na instituição que funcionava com dois modelos: durante o dia, os filhos dos funcionários tinham aula e, à noite, os próprios trabalhadores.
Inicialmente, feitos em um barracão, os ensinos passaram a ser na Casa Rosada, onde hoje é o Museu da Vacina, já com o nome “Grupo Escolar Rural do Butantã”, em 1932. Devido ao número de estudantes, cerca de 1.500, foi cedido uma área da então Fazenda Butantan para a Secretaria de Estado da Educação onde, desde a década de 1950, funciona a Escola Estadual Alberto Torres.
Quer fazer parte?
A Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) está com inscrições abertas para o Programa Cientista Mirim 2026. Iniciado em 2023, o programa está na sua quarta edição e recebe estudantes do Ensino Médio das redes públicas e privadas da região metropolitana de São Paulo. Eles podem se inscrever até 25 de março. Ao todo, são 13 vagas – mesmo número de projetos disponíveis no edital.
Programa Cientista Mirim 2026
Início do curso: 2/6/2026 (previsão)
Inscrições: de 27/2 até 25/3, às 23h59, neste site [https://escolasuperior.butantan.gov.br/cientista-mirim]
Duração:* *seis meses
Carga horária: 6 horas por semana, totalizando 144 horas (máximo de 3 horas por dia, 2 dias por semana)
Acesse o edital para mais informações: https://escolasuperior.butantan.gov.br/cientista-mirim
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