Em meados de 2022, sem grande acesso às redes sociais e conhecendo apenas as olimpíadas divulgadas pelo colégio, Maitê Bentes, hoje com 16 anos, e sua irmã Manuela Bentes, de 12, começaram a participar das primeiras competições científicas. O que parecia apenas mais uma atividade escolar rapidamente ganhou outro significado.
Para Maitê, a virada veio com a OBMEP. “Eu achava que era algo muito distante”, relembra. Já Manuela sentiu o impacto ao conquistar sua primeira medalha na Olimpíada Canguru de Matemática. A partir dali, perceberam que as olimpíadas não eram apenas provas desafiadoras, mas oportunidades reais de crescimento.
Com o tempo, os efeitos começaram a aparecer na rotina escolar. “Quando percebi que as olimpíadas estavam influenciando positivamente nos meus estudos”, conta Manuela. Maitê complementa: “Não era apenas fazer uma olimpíada, mas saber que através dela haveria grandes oportunidades acadêmicas, como concorrer a bolsas de estudo em universidades”.

A frustração que virou estratégia
Entre as experiências mais marcantes está a participação na Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras (OIMSF). As duas conquistaram medalhas de ouro regionais e nacionais por dois anos consecutivos, garantindo destaque para o colégio onde estudavam.
Em vez de desanimar, decidiram agir. Foi dessa experiência que nasceu a Comunidade Olímpica nas redes sociais. A ideia era ampliar o acesso à informação sobre olimpíadas nacionais e internacionais e ajudar outros estudantes a encontrarem oportunidades que elas próprias não conheciam no início.

“Muitas pessoas desconhecem o mundo olímpico e as portas que se abrem por meio das olimpíadas”, explicam.
Do Brasil ao mundo: experiências que ampliaram horizontes

Pelo regulamento da competição, a escola com alunos medalhistas pode ser convidada a integrar a delegação brasileira na etapa internacional. No entanto, o convite é direcionado à instituição, não diretamente aos estudantes premiados. O sonho de representar o Brasil internacionalmente estava ali — mas não se concretizou naquele momento.

Desde 2022, as irmãs não pararam mais. Participaram de diversas competições, entre elas Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), Canguru de Matemática, Matemática Sem Fronteiras, ONC, OBLI, OP (Português), Jacob Palis, TM² (Torneio Meninas na Matemática), OMPD, Sasmo, Copernicus e OBB (Biologia), demonstrando interesse multidisciplinar.
Os momentos mais emocionantes vieram com as experiências internacionais. Maitê subiu ao pódio para receber medalha de bronze na Desafio Internacional de Olimpíada de Matemática de Singapura (SIMOC na sigla em inglês), em Singapura. “Quando subi no pódio para receber minha medalha de bronze”, recorda como um dos instantes mais marcantes de sua trajetória. Manuela também viveu um momento especial ao ser convidada para representar o Brasil em uma olimpíada de matemática em Nova York. “Quando fui convidada para representar o Brasil”, resume.
Além do reconhecimento acadêmico, vieram aprendizados culturais. “Através da participação nessas olimpíadas, percebemos que essa oportunidade abre portas não só acadêmicas, mas também culturais. Podemos conhecer outras culturas e colocar em prática idiomas como inglês, espanhol e português.”

Família, propósito e impacto para outros estudantes
O apoio familiar foi decisivo ao longo da jornada. “Nossos pais sempre nos incentivaram em tudo no que diz respeito ao aprendizado, sem medir esforços para a nossa formação acadêmica, incluindo as olimpíadas. Então podemos dizer que o maior incentivo veio dos nossos pais. Claro que nossos professores têm a sua participação.”
Hoje, aos 16 e 12 anos, Maitê e Manuela enxergam as olimpíadas como muito mais do que competições. São portas de entrada para oportunidades acadêmicas, experiências internacionais e desenvolvimento pessoal.
Ao criarem a Comunidade Olímpica, passaram de competidoras a multiplicadoras de informação. O que começou como busca por oportunidades se transformou em missão: mostrar a outros estudantes que o universo olímpico é acessível e pode, sim, se tornar projeto de vida.
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