Ensinar geopolítica, história, liderança, gestão, oratória e diplomacia num só projeto. Essa é a proposta das Simulações Diplomáticas, ou Simulações da Organização da ONU, também conhecida como MUN, Model United Nations. Quem conta um pouco sobre essa modalidade é a Tainá Cordeiro (Thaii Cordeiro), Embaixadora Jr da Comunidade Científica Jr.
Thaii explica que essas atividades podem ir muito além de uma experiência extracurricular e se transformar em espaços de aprendizado, desenvolvimento pessoal e descoberta profissional.
Segundo ela, durante uma Simulação da ONU, os participantes assumem o papel de representantes de um Estado ou de uma figura pública e precisam atuar de acordo com a política externa e o posicionamento daquele personagem diante do assunto debatido.
Thaii conheceu esse universo em 2025. No primeiro momento, participou apenas de atividades online. Em 2026, começou a frequentar simulações presenciais. O caminho até as MUNs começou pelas redes sociais: ela pesquisou perfis no Instagram, entrou em grupos de WhatsApp e, aos poucos, passou a conhecer melhor a comunidade ligada às simulações.
Primeira experiência e os desafios de começar
Para quem olha de fora, participar de um debate seguindo regras diplomáticas e representando interesses de outro país pode parecer complicado. Tainá, porém, lembra que ninguém precisa chegar à primeira simulação dominando todo o funcionamento de uma MUN.
Ela conta que sua primeira experiência foi marcada principalmente pelo aprendizado. Apesar de ter falado pouco durante a atividade, considera que teve um desempenho tranquilo para uma participante iniciante.
A adaptação, explica, não envolve apenas estudar o assunto que será discutido. Também é necessário compreender as regras e a dinâmica própria dos debates. “Quanto mais praticamos, melhor ficamos”, resume a Embaixadora Jr.

Como escolher um comitê?
As possibilidades dentro das simulações são variadas. A escolha depende do tema e da instituição responsável pela atividade. Algumas MUNs, segundo Thaii, chegam a indicar o nível de dificuldade dos comitês.
Para quem está começando, uma possibilidade é escolher um assunto pelo qual já tenha interesse ou algum conhecimento. Mas isso não impede que o estudante aproveite a experiência para conhecer áreas completamente novas.
Existem até mesmo comitês de crise ambientados em universos fictícios, incluindo temáticas inspiradas em obras como, por exemplo, Jogos Vorazes. Normalmente, durante a inscrição, os participantes apresentam preferências de comitês e também de Estados ou personagens que gostariam de representar.
Onde encontrar Simulações da ONU?
Uma das principais dúvidas de quem deseja participar é justamente onde encontrar essas oportunidades. Thaii indica alguns perfis que divulgam ou promovem atividades, entre eles SPMUN, Instituto Diplomun, SenaMUN, BandMUN, Simulaí, Fundação Agimuns e SimunPE. Algumas dessas iniciativas também mantêm comunidades próprias e podem divulgar tanto eventos nacionais quanto internacionais.
Segundo ela, não é obrigatório que a escola organize a participação. Embora algumas instituições realizem suas próprias simulações ou levem grupos de estudantes para eventos externos, também existem oportunidades em que o jovem pode se inscrever individualmente.
Outro ponto importante é a diversidade de formatos. Há simulações gratuitas e pagas, além de iniciativas que oferecem bolsas. Para quem não consegue viajar ou participar presencialmente, as atividades online também podem ser uma porta de entrada.
Como se preparar para a primeira MUN?

Antes da primeira experiência, Thaii recomenda compreender o funcionamento básico de uma simulação e conhecer suas regras. Além dos próprios materiais fornecidos pelos eventos, o estudante pode encontrar vídeos no YouTube e cursos preparatórios. Entre os exemplos mencionados por ela está o Extracurriculando, que disponibiliza aulas gravadas sobre o assunto.
Oratória, argumentação e escrita estão entre as habilidades importantes para quem participa. Entretanto, Tainá faz questão de destacar que essas competências são desenvolvidas justamente com estudo e prática.
Para ela, o estudante não deve transformar a participação em uma cobrança excessiva. “Ninguém nasce sabendo nada, então não se cobre, apenas se divirta e aprenda”, aconselha.
Thaii conta que o interesse pelas MUNs ainda contribuiu para desenvolver seu gosto pela leitura. Livros e artigos passaram a fazer parte de sua preparação, ampliando repertório e ajudando na construção de uma visão crítica sobre diferentes questões sociais. A experiência também colaborou para que ela compreendesse melhor seus próprios interesses profissionais.
Entre as competências desenvolvidas pelas MUNs, Tainá destaca especialmente a negociação e a comunicação. Durante os debates, os participantes precisam buscar maneiras diplomáticas de solucionar conflitos, compreender o posicionamento dos países envolvidos e construir caminhos para obter colaboração.
Segundo ela, essas experiências podem contribuir tanto academicamente quanto profissionalmente. Tainá também observa que atividades extracurriculares desse tipo podem integrar a trajetória acadêmica de estudantes interessados em universidades, inclusive no exterior.
“Não tenha medo de errar”
Thaii lembra que dúvidas fazem parte do processo e que existem momentos durante as próprias simulações destinados a esclarecê-las. Mais importante do que conquistar premiações, segundo ela, é observar tudo o que pode ser aprendido durante a experiência.
Ela também defende que as MUNs têm potencial educativo por reunirem conteúdos relacionados a política, gramática, diplomacia, pesquisa e comunicação.
E deixa ainda uma última orientação aos novos participantes: aproveitar o espaço para construir amizades. Para ela, uma simulação não deve ser encarada apenas como uma competição, mas como uma oportunidade de aprendizado e de construção coletiva.



