Alunos da UERJ são premiados em competição de satélites do INPE

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Tibérius Drumond
Estudantes da UERJ grupo UERJ.Sats apresentam seus satélites

O grupo UERJ.Sats, formado por estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), alcançou o 2º lugar na categoria CubeSat do CubeDesign 2025, uma das mais importantes competições sul-americanas dedicadas ao desenvolvimento de nanosatélites. A equipe participou com o IaraSat, um satélite 3U de 2,3 kg, batizado em homenagem ao folclore brasileiro e equipado com mecanismos de abertura de painéis, antena, controle de atitude e sistemas de imageamento.

A missão da edição deste ano, chamada ManchaSat, desafiou as equipes a identificar embarcações responsáveis por manchas de óleo no oceano. Para isso, os satélites deveriam combinar imageamento a bordo com dados do sistema AIS (Automatic Identification System) — um identificador transmitido por navios via rádio contendo nome, número e coordenadas da embarcação. A tarefa consistia em reconhecer, com precisão, qual navio havia causado o vazamento, cruzando as informações das imagens com os sinais AIS recebidos em tempo real.

Segundo Kataryne Cunha, presidente da equipe UERJ.Sats, atualmente, há três competições importantes envolvendo satélites que brasileiros costumam participar:

  • a IREC, nos Estados Unidos;
  • a LASC (Latin American Space Challenge), organizada no Brasil — onde a UERJ.Sats já conquistou 1º lugar em CubeSat e o prêmio de Satélite do Ano;
  • e o CubeDesign, focado exclusivamente em nanosatélites.

No CubeDesign, além da missão principal, os participantes passam por uma série de avaliações técnicas em diferentes áreas dos sistemas espaciais.

Primeiro dia: testes de atitude, energia, telecomunicações e missão

Kataryne explica que as atividades iniciais incluíram teste de controle de atitude. Essa parte é responsável por orientar o satélite em um ângulo específico — geralmente em direção ao Sol, para otimizar o carregamento solar. A equipe teve que demonstrar os mecanismos de estabilização e apontamento, respondendo a comandos da banca avaliadora.

Houve também o Teste de EPS. Nele, o satélite é posicionado frente a uma fonte de luz intensa que simula o Sol. Os avaliadores verificam, por telemetria, se o sistema realmente está carregando as baterias. Além disso, o satélite precisa receber comandos via rádio para abrir mecanismos ou executar tarefas, ao mesmo tempo em que envia telemetria continuamente, incluindo dados de bateria, temperatura, sensores e status dos sistemas.

Também foi exigido o Teste da missão, onde o equipamento captava imagens simulando a detecção de óleo, recebendo sinais AIS e identificando qual embarcação era responsável pela mancha.

Mais desafios

A estudante de Engenharia Elétrica explica que os desafios não pararam por aí. No segundo dia, os times realizaram o teste de ciclagem térmica no LIT (Laboratório de Integração e Testes) do INPE — o mesmo local onde satélites brasileiros reais são qualificados para voo.

– Por exemplo, o IaraSat foi colocado em uma câmara térmica que simulou condições extremas, indo de –10°C a 50°C. Durante todo o processo, o satélite precisava continuar operando e transmitindo telemetria. E conseguimos – relata.

Já no terceiro e último dia, passaram por uma série de avaliações estruturais e dinâmicas. Entre eles estavam: Fit-check do POD, onde verifica se o satélite possui as dimensões corretas para ser inserido no POD, o compartimento responsável por armazenar o CubeSat dentro do foguete até a hora da liberação.

Também teve o teste de vibração, simulando um lançamento real, o satélite foi submetido a vibração intensa por dois minutos.
– O desempenho foi excelente: apenas um cabo soltou, rapidamente reconectado, e o satélite voltou a transmitir telemetria normalmente, passando no teste – ressalta Kataryne.

Testes sendo executados com o IaraSat no INPE

Para a estudante, o CubeDesign é muito mais do que uma competição: é uma imersão completa no processo de qualificação espacial, com protocolos reais utilizados por satélites brasileiros.

Os estudantes Kataryne Cunha, presidente da equipe UERJ.Sats, e Daniel Kampffe, um dos líderes de estruturas, exibem o IaraSat

Ela comenta que nos técnicos do INPE orientam e corrigem cada detalhe. Kataryne diz que eles tratam o satélite como se realmente fosse ser lançado. “Explicam o que está correto, o que não pode ser usado, o que precisa de um POD específico, qual componente não atenderia à norma. Foi uma experiência surreal”, fala.

– Participar desse processo significa dar um passo importante rumo à possibilidade de, no futuro, lançar um satélite verdadeiro desenvolvido pela universidade – ressalta.

O 1º lugar ficou com a equipe Czar Space (UFMG), o segundo, com o grupo UERJ.Sats, com o satélite IaraSat e, em terceiro, Gama CubeDesign (UnB Gama).

O que é o CubeDesign?

Criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o CubeDesign é uma competição de engenharia espacial que aproxima estudantes da realidade do setor aeroespacial. A iniciativa nasceu com o objetivo de envolver a sociedade e despertar o interesse sobre a importância das atividades espaciais.

A iniciativa é voltada para estudantes de ensino médio, graduação e pós-graduação. A proposta é desenvolver competências técnicas, trabalho em equipe, integração com especialistas do programa espacial brasileiro e promover a construção de sistemas reais inspirados em satélites de verdade.

A competição é dividida em duas categorias principais: CubeSat (graduação e pós-graduação) e CanSat (ensino médio, técnico e graduação)

Mais informações:

INPE: https://www.gov.br/inpe/pt-br/eventos/cubedesign-2025

UERJ.SATS: https://www.instagram.com/uerj.sats/

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