Participar de olimpíadas científicas pode começar como uma experiência divertida e se transformar em um projeto de vida. Essa foi a jornada de João Pedro Perpétuo, estudante de Rondônia, que encontrou nas competições acadêmicas um caminho de aprofundamento no conhecimento, desenvolvimento pessoal e descoberta de vocação científica.
O início nas olimpíadas científicas
O primeiro contato de João Pedro com esse universo aconteceu ainda no 6º ano, em uma olimpíada de matemática em grupo promovida pela própria escola. A experiência lúdica e colaborativa despertou seu interesse pelas competições. Nos anos seguintes, a pandemia interrompeu muitas iniciativas, mas, a partir de 2022, já no 9º ano, ele decidiu se engajar de forma mais ampla, participando do maior número possível de olimpíadas.
A primeira olimpíada individual veio com a Canguru de Matemática. Naquele momento, João Pedro não conquistou premiação, mas a experiência serviu como aprendizado e motivação para seguir em frente.
Estratégia de estudo: curiosidade e profundidade
Para João Pedro, a principal estratégia de estudo sempre foi manter a mente aberta para aprender além do conteúdo tradicional da escola. Ele percebeu que muitos temas cobrados em olimpíadas não aparecem nos currículos ou vestibulares, exigindo estudo autônomo e aprofundado.
Entre os recursos mais importantes estiveram as próprias plataformas das olimpíadas, especialmente as provas antigas, além do apoio do NOIC, que oferece materiais gratuitos elaborados por outros estudantes olímpicos.
No método, ele combina livros, questões anteriores e vídeos, adaptando o formato ao nível de dificuldade de cada competição. Em Química, por exemplo, construiu uma base sólida com livros clássicos e aprofundou o treino com listas e provas anteriores.

Organização e disciplina
Conciliar escola, vida pessoal, vestibulares e olimpíadas exige planejamento. João Pedro destaca a importância de um calendário funcional e atualizado. A estratégia foi simples e eficaz: não acumular tarefas. Trabalhos e exercícios escolares eram feitos o quanto antes, liberando espaço para estudos olímpicos e até para momentos de lazer.
Dificuldades e aprendizados
O maior obstáculo enfrentado por ele foi a falta de informação no início da trajetória. Segundo João Pedro, se tivesse recebido orientação mais clara desde cedo, poderia ter direcionado melhor seus esforços para olimpíadas específicas. Esse conhecimento, no entanto, foi sendo construído ao longo do tempo, com tentativa, erro e persistência.
Apesar do incentivo da escola e dos professores, ele reforça que o estudo olímpico é, em grande parte, um desafio individual. Muitas vezes, é necessário dominar conteúdos que nem sempre fazem parte da rotina escolar, o que exige autonomia e disciplina.

Erros comuns e como evitá-los
Um erro que João Pedro destaca é participar de olimpíadas sem critério, de forma desorganizada. Para ele, o ideal é experimentar várias competições, mas escolher poucas, com boas oportunidades, para se dedicar de verdade. Esse foco poderia, segundo ele, ter aberto portas ainda maiores, como chegar às seletivas internacionais.
Ansiedade, pressão e confiança
Antes das provas, a forma encontrada para lidar com a ansiedade foi o estudo. João Pedro explica que, ao saber que fez tudo o que estava ao seu alcance, consegue encarar o resultado com mais tranquilidade, entendendo-o como consequência natural do esforço empregado.
Medalhas de olimpíadas científicas que marcaram a trajetória

Duas conquistas ficaram especialmente gravadas em sua memória. A primeira foi a medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Biologia. Após anos sem chegar à fase final, ele conquistou a medalha em uma edição em que passou muito próximo da nota de corte, tornando o resultado ainda mais emocionante.
A segunda foi o ouro na Olimpíada Brasileira de Química. A conquista coroou anos de dedicação, desde a iniciação na OBQ Júnior até o Ensino Médio, representando a realização de um sonho pessoal.
A experiência em competições acadêmicas o ajudou a brilhar na segunda edição da Olimpíada Brasileira de Administração (OBAdm 2025). Mesmo sendo estreante, conseguiu não só a medalha de ouro, como também ficou entre os 3 principais do país no ensino médio.
– Refiz a prova várias vezes para entender melhor. Nem sabia que os primeiros colocados iriam presencialmente à cerimônia de premiação receber a medalha! Quando vi o e-mail, fiquei emocionado. Minha mãe é administradora e ficou muito orgulhosa – revela João.
Brilho na química
O envolvimento de João Pedro com o Programa Nacional Olimpíadas de Química (PNOQ) também marcou de forma decisiva sua trajetória. Todos os medalhistas das olimpíadas nacionais vinculadas ao programa podem participar da cerimônia nacional, e ele fez questão de estar presente. Em 2025, conquistou medalha de ouro tanto na ONNeQ quanto na OBQ, resultados que o levaram ao evento comemorativo que celebrou os 30 anos do PNOQ. Durante a cerimônia, foram anunciados dois novos troféus permanentes, cuja existência João Pedro desconhecia até ser surpreendido com a premiação, além da oportunidade de registrar seu nome e sua imagem ao lado de troféus históricos que carregam a memória das edições anteriores.

Mais do que a conquista material, a experiência teve forte impacto simbólico. Ao longo da premiação, a história do PNOQ foi apresentada ao público, desde sua criação até o papel que desempenha na popularização da ciência no Brasil. João Pedro relata que, enquanto ouvia os relatos sobre os desafios iniciais, o crescimento do programa e suas perspectivas futuras, percebeu-se como parte viva dessa trajetória. Cercado por professores e estudantes de destaque, teve a sensação de concretizar um objetivo construído ao longo de anos de estudo. Para ele, o PNOQ representa um esforço coletivo de grande escala, sustentado pelo trabalho dos organizadores, mas com um efeito claro e duradouro: transformar estudantes e ampliar horizontes acadêmicos e científicos.

Recomendações para iniciantes
Para quem está começando, João Pedro sugere iniciar por olimpíadas mais amplas e de afinidade, como a OBMEP e a Canguru de Matemática. Com o tempo, o estudante identifica suas áreas de interesse e pode avançar para competições mais desafiadoras e específicas.
O conselho final é direto: comece. Segundo ele, muitos estudantes com grande potencial deixam de aproveitar oportunidades simplesmente por não se inscreverem ou por acharem que ainda não estão prontos.
Olhando para o futuro
João Pedro está encerrando sua trajetória olímpica, aguardando os últimos resultados e celebrando a conquista da medalha que buscou por anos. A experiência, no entanto, deixa um legado duradouro: o despertar de uma paixão pela ciência e pela pesquisa. Agora, ele pretende canalizar esse interesse ao cursar Medicina, unindo a prática médica à pesquisa científica.
A história de João Pedro mostra que as olimpíadas científicas vão muito além das medalhas. Elas formam estudantes mais curiosos, disciplinados e preparados para enfrentar desafios acadêmicos e profissionais, abrindo caminhos para sonhos que começam, muitas vezes, com uma simples inscrição.
Sobre o futuro, o estudante diz que pretende cursar Medicina de modo a prosseguir com sua afinidade por Biologia (sobretudo fisiologia e celular) e Química. “Conquanto não possa mensurar muito sobre o que farei depois, almejo seguir carreira científica na pesquisa”, conclui.
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