Como nasce um clube de astronomia: a história inspiradora do Clube Centauri

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Tibérius Drumond

Criar um clube de astronomia é uma das formas mais envolventes de aproximar estudantes e comunidades do universo científico. Motivado por esse desejo, Rodrigo Felipe Raffa, professor de Física, Programação e Robótica, criou o Clube Centauri em Itapetininga (SP). A ideia surgiu em 2015, durante sua graduação em Física, quando percebeu que aprender sobre os astros em grupo poderia tornar o estudo mais acessível e divertido.

Em entrevista ao portal Comunidade Científica Jr, Rodrigo comenta que, antes da popularização das redes sociais, era difícil encontrar conteúdos especializados. Para ele, o primeiro passo foi reunir pessoas com o mesmo interesse.

Apesar dos desafios iniciais, professor Rodrigo fala que é possível começar uma iniciativa como essa. E não é preciso começar gastando muito. “O início costuma ser voluntário, exigindo mais vontade do que recursos. Com um pequeno telescópio e muita curiosidade já é possível começar”.

Ele diz que o fundamental é ter um mentor e uma equipe comprometida. Depois, o envolvimento com escolas, universidades e comunidades científicas ajuda a consolidar o projeto. “Além disso, é vital que a pessoa tenha vontade de ensinar e aprender”.

De olho nas estrelas

Criado por Rodrigo e sua esposa, o clube rapidamente atraiu dezenas de interessados e se tornou uma referência regional em divulgação científica. O nome é uma homenagem ao sistema estelar mais próximo do Sol, Alpha Centauri, simbolizando o desejo de aproximar pessoas por meio da ciência. Com o tempo, o projeto evoluiu para o Centauri 2.0, contando com o apoio do professor Dr. Lester Faria, do ITA, e a parceria da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).

Foguete de garrafa pet lançado durante o Torneio Centauri de Foguetes

Uma coisa que ajudou muito foi o projeto ter recebido apoio do Clube Astronomia de Nhandeara. Rodrigo conta que eles doaram recursos como meteoritos de exposição, óculos para observação solar, cartas celestes e outros materiais. Começamos muito bem amparados. “Já no primeiro ano, recebemos um certificado de reconhecimento da NASA, enviado diretamente de Pasadena, Califórnia”.

Atividades e foguetes

Entre suas principais iniciativas está o Torneio Centauri de Foguetes, realizado desde 2019. Inspirado na Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG), a iniciativa reúne estudantes para construir e lançar foguetes em um campo de mais de 450 metros — um dos maiores do país. O evento promove integração entre escolas, prática científica e muita diversão.

Além disso, o clube mantém o CentauriCast, podcast apresentado por Rodrigo e pelo diretor científico Marco Centurion, voltado à popularização da astronomia e das ciências espaciais.

Rodrigo ainda conta que o clube já participou de eventos internacionais na Alemanha (AstroEdu 2019) e na Rússia (São Petersburgo, 2025). Segundo ele, isso fortaleceu o intercâmbio científico e colocando Itapetininga no mapa da divulgação astronômica, além de contribuir para seu crescimento profissional. “A astronomia me tornou um professor melhor e me ensinou a enxergar o mundo com mais curiosidade. É isso que queremos despertar nos nossos alunos”, destaca Rodrigo.

Imagens registradas, em 2020, pelo Clube de Astronomia Centauri mostrando as etapas de um eclipse solar

Atualmente, o Clube Centauri segue expandindo suas ações com novos projetos audiovisuais e educacionais, fortalecendo o ecossistema astronômico brasileiro e incentivando escolas de todo o país a criarem seus próprios clubes. “Crescemos e transformamos sonhos em realizações concretas. Nosso objetivo é inspirar cada vez mais pessoas a olhar para o céu e acreditar no poder da ciência”, conclui.

Leia a entrevista da Comunidade Científica Jr com o Rodrigo Raffa, professor de física, programação, robótica, fundador e diretor do Clube de Astronomia Centauri, de Itapetininga (SP).

Como nasceu o interesse de vocês pela Astronomia e pela criação de um clube?
A Astronomia é um assunto extremamente cativante que, antes da popularização das redes sociais, tinha poucos conteúdos e notícias especializadas disponíveis. Em 2015, durante minha graduação em Física, pensei em reunir os apaixonados pelos astros da região de Itapetininga para promover trocas de materiais e conhecimentos. Aprender em grupo é sempre mais divertido, e já nos primeiros encontros do clube percebemos o potencial que aquilo poderia ter, com dezenas de interessados em participar.

Quem foram os fundadores do Clube Centauri e o que motivou a escolha desse nome? Fale um pouco sobre sua formação, o que te levou para a área da Astronomia e quais são suas atividades atuais.

Eu, Rodrigo Raffa, sou o fundador do Clube Centauri. Trouxe a essência e a parte técnica especializada — estudei muito, promovi palestras e oficinas. Posso dizer que dei as diretrizes iniciais do que o clube viria a ser. Minha esposa, cofundadora, participa desde o início do projeto, aprendendo e cuidando da parte de marketing e design — como as artes de divulgação e camisetas. Ela é responsável pela beleza visual do clube (risos).

O nome Centauri é uma homenagem ao sistema estelar mais próximo do Sol, Alpha Centauri. Queríamos aproximar os interessados em Astronomia, então pensamos: por que não usar como referência a estrela mais próxima.

Sou formado em Física e ela em Design. A Astronomia me motivou a entender o universo, fortalecendo meu interesse pela Matemática e pelo ensino. Hoje posso dizer que sou um professor melhor graças ao que a Astronomia me proporciona. Atualmente, seguimos com palestras e atividades em escolas que nos convidam, além do Centauricast, nosso podcast semanal produzido com Marco Centurion, nosso diretor científico. Também promovemos a popularização da Astronomia no YouTube e nas redes sociais.

CentauriCast está no Spotify

Como foi o processo de criação: o clube surgiu dentro de uma escola, de um grupo de amigos ou como um projeto independente?

Foi um projeto independente, mas podemos dizer que houve dois momentos: a criação e a recriação do clube. Inicialmente, começamos de forma informal, voluntária e com muita força de vontade. Porém, o crescimento foi tão rápido que não conseguíamos atender às demandas gratuitamente. Foi então que nos reformulamos, criando o Centauri 2.0, com a entrada do prof. Dr. Lester Faria, do ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e a parceria com a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), o que fortaleceu muito nossa equipe. Hoje, somos uma iniciativa privada de incentivo ao conhecimento, que busca parcerias para alcançar ainda mais pessoas.

Quais foram os primeiros passos práticos para tirar a ideia do papel?
Antes de tudo, é preciso que o clube tenha um mentor, alguém com boas noções de Astronomia e de trabalho em equipe para designar funções e orientar o projeto. É importante buscar interessados, independentemente da área, sem se limitar a conhecidos — você pode se surpreender com quem vai agregar. Um nome chamativo, um blog para materiais, redes sociais para divulgação e parcerias com canais de comunicação, outros clubes, universidades e escolas fortalecem o trabalho.
Apenas comece — os resultados virão naturalmente.

Quais dicas você daria para alguém que deseja criar um clube de Astronomia na cidade onde mora?

Se você realmente gosta de Astronomia e está disposto a começar, tenha certeza de que parceiros surgirão. O Clube Centauri está à disposição para ajudar quem quiser iniciar essa jornada.

O que é preciso ter para começar um clube de Astronomia? É necessário investir muito dinheiro?

Não necessariamente. O início costuma ser voluntário, exigindo mais vontade do que recursos. Com um pequeno telescópio e muita curiosidade já é possível começar. O fundamental é ter um mentor e uma equipe comprometida. Depois, o envolvimento com escolas, universidades e comunidades científicas ajuda a consolidar o projeto.

Quais foram os maiores desafios enfrentados no início (estrutura, divulgação, recursos, equipe etc.)? Como lidar com eles?

A falta de investimento em educação e ciência é um desafio constante. Mesmo com grande impacto, raramente há apoio suficiente. Nós mesmos nos doamos para que nossos objetivos fossem alcançados — é uma missão que exige persistência e paixão.

Há alguma história curiosa ou marcante do início do clube?

Logo no começo, tivemos a sorte e a gentileza de um clube de Astronomia de Nhandeara nos “adotar” no primeiro mês. Eles doaram recursos como meteoritos de exposição, óculos para observação solar, cartas celestes e outros materiais. Começamos muito bem amparados e, já no primeiro ano, recebemos um certificado de reconhecimento da NASA, enviado diretamente de Pasadena, Califórnia.

Quais tipos de atividades o Clube Centauri realiza atualmente (observações, palestras, oficinas, olimpíadas, feiras etc.)? Onde o público pode acompanhar vocês?
Anualmente organizamos o Torneio Centauri de Foguetes, uma competição educacional inspirada na Olimpíada Brasileira de Foguetes. Também promovemos noites de observação, visitas a feiras e semanas de cursos em universidades, além de ofertar cursos e workshops. O público pode nos acompanhar pelo site clubecentauri.com.br e pelo Instagram @clubecentauri.

Quais projetos ou eventos tiveram maior impacto até agora? Há experiências internacionais que gostariam de destacar?

Temos duas atividades internacionais no currículo: uma na Alemanha (2019), durante o AstroEdu, representados por mim, em uma semana imersiva em Astronomia; e outra na Rússia (2025), em São Petersburgo, com nosso diretor Marco Centurion, que está realizando mestrado em Física Matemática e participando de eventos do BRICS, representando o Centauri.

Como surgiu a ideia de realizar o Torneio de Foguetes organizado pelo Clube Centauri?
Inspirados pela Jornada de Foguetes, percebemos que havia poucos participantes da nossa região. Então, nossa diretora Izabela criou, em 2019, o Torneio Centauri de Foguetes, que hoje é um sucesso e já se prepara para sua 5ª edição, em 2026.

Quais foram os principais objetivos do evento (incentivo à ciência, integração entre escolas, prática experimental etc.)?

O torneio nasceu para ampliar as oportunidades de lançamentos de foguetes e promover integração entre estudantes de diferentes escolas. Além da competição, o evento inclui palestras e atividades diversas. Nosso campo de lançamento é muito elogiado — tem mais de 450 metros, terreno plano e sem obstáculos, o que facilita o acompanhamento das trajetórias. Arrisco dizer que é uma das melhores arenas de foguetes do Brasil!

Quantas equipes participaram da última edição do Torneio Centauri de Foguetes? Como foi a experiência?

Foram 50 equipes, dos níveis 3 (água e pressão) e 4 (vinagre e bicarbonato de sódio). É incrível ver tantos alunos interessados em uma atividade que desperta habilidades científicas ainda no ensino médio.

Saiba como criar um clube de astronomia e conheça a trajetória do Clube Centauri, de Itapetininga (SP), fundado pelo professor Rodrigo Felipe Raffa, mestre em Ensino de Física pela UFSCar. A iniciativa promove a divulgação científica por meio de observações, torneios de foguetes, podcasts e parcerias com a OBA e o ITA, levando a paixão pelos astros a escolas e eventos nacionais e internacionais.

Quais são os planos futuros do Clube Centauri?

Pretendemos continuar com nossa produção audiovisual, oferecendo conteúdo de qualidade para quem deseja aprender mais sobre a ciência dos astros. Temos também alguns spinoffs em desenvolvimento, que em breve trarão novidades. Uma de nossas missões é fortalecer o Programa Espacial Brasileiro e o ecossistema astronômico nacional, criando uma rede regional sólida.

Que mensagem vocês deixariam para estudantes ou professores que desejam criar um clube de Astronomia?

Primeiramente, agradecemos a oportunidade de compartilhar nossa história.

O Clube de Astronomia Centauri nasceu com a missão de popularizar a Astronomia e despertar a curiosidade científica, unindo pessoas de diferentes áreas em torno do fascínio pelo cosmos, pelos telescópios e pela astronáutica. Nossa trajetória é marcada por parcerias, dedicação e confiança. Crescemos e transformamos sonhos em realizações concretas, e hoje seguimos firmes na fase 2.0 do Centauri, expandindo nossas ações e alcançando cada vez mais pessoas.

Sabemos que o impacto do nosso trabalho já é real — mas queremos ir além. Se você representa uma empresa, instituição ou parceiro que acredita no poder da ciência e da educação, junte-se a nós nessa missão. Vamos, juntos, colocar Itapetininga e o Brasil no mapa da nova corrida espacial.

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