Professor embarca em expedição científica e leva a cultura oceânica para sala de aula

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Tibérius Drumond

Professores representantes das Escolas Azuis e a equipe do Maré de Ciência embarcaram no Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira, da Marinha do Brasil. A travessia foi realizada entre as cidades de Niterói (RJ) e Fortaleza (CE). Durante 17 dias de imersão científica, os educadores acompanharam de perto as pesquisas hidrográficas e climáticas realizadas a bordo, com o objetivo de transformar a experiência em materiais pedagógicos voltados para a Cultura Oceânica e a educação ambiental nas 526 Escolas Azuis do Brasil.

Para falar sobre essa experiência, a Comunidade Científica Jr conversou com o professor Sílvio Faria, do Colégio Amorim (SP), que faz parte do programa Escola Azul. Ele participou da Expedição Escola Azul – Missão REMOB’s – COP 30. Formado em Química, ele se destacou pela proposta de criar roteiros de atividades práticas com base nas vivências científicas a bordo.

– Foi maravilhoso representar minha escola e criar atividades que despertem nos alunos o interesse pela pesquisa e pela preservação dos oceanos – conta Sílvio.

Durante a expedição, os participantes acompanharam o lançamento de boias hidroceanográficas nas Bacias de Santos e Campos, incluindo um veleiro autônomo que navegará coletando dados do oceano. Sílvio também vivenciou momentos marcantes, como o avistamento de baleias e golfinhos próximos a Abrolhos, o uso de equipamentos de batimetria e coletas de água e solo para análise.

– Foi emocionante perceber a importância das pesquisas hidroceanográficas para o Brasil e o quanto ainda precisamos valorizar o trabalho de nossos cientistas e hidrógrafos – destaca o professor.

A experiência rendeu frutos imediatos: o professor Sílvio elaborou oito roteiros de aulas práticas de Química e Ciências baseados em atividades do navio, além de fanzines e um diário de bordo desenvolvido junto às alunas Embaixadoras do Oceano da escola. “Essas práticas simples ajudam a compreender fenômenos complexos e aproximam os estudantes da realidade científica que vivenciei no mar”, explica.

De volta à sala de aula, Sílvio reforça que a maior lição foi entender o poder transformador da educação científica. “Difundir a Cultura Oceânica é essencial, mesmo em escolas distantes do litoral. Essa expedição mudou minha forma de ensinar”, resume. Para ele, a viagem no Vital de Oliveira foi mais do que uma experiência — foi a maior aventura de sua jornada como educador.

Leia a entrevista exclusiva da Comunidade Científica Jr com professor Sílvio Faria, do Colégio Amorim (SP).

Qual foi a proposta principal da expedição científica?

Oportunizar para professores de Escolas Azuis conhecerem a importância e a rotina de um navio de pesquisa hidroceanográfico e, a partir da experiência na expedição, criar materiais que possam ser utilizados nas 526 Escolas Azuis do Brasil.

Como surgiu o convite ou a oportunidade para participar dessa expedição científica a bordo do Navio Vital de Oliveira?

Recebi um convite para a possibilidade de embarcar no navio Vital de Oliveira, da Marinha do Brasil.

O convite ocorreu através do programa Escola Azul, do Maré de Ciência da UNIFESP, de Santos.

Acessei o e-mail no sábado, 06/09. Em anexo, havia um formulário com perguntas gerais e uma solicitação de proposta/contribuição do embarcado durante a expedição.
Preenchi rapidamente e coloquei, como proposta de trabalho, a criação de roteiros de atividades práticas com base em minhas experiências nos laboratórios e na rotina de pesquisa do navio.

No sábado, 13/09, apareceu na tela do meu celular o grupo “Professores no Mar”. Sensação indescritível!

Comecei a me preparar para a primeira pernada da Expedição Escola Azul – Missão REMOB’s – COP 30, a bordo do Navio Hidroceanográfico Vital de Oliveira.

Expedição contou também com a participação dos professores Gabriela Teixeira, de Angola, UNIFESP, Romilda Roncatti, da UNIFESP, Tiago Dionízio, Secretaria de Educação de Itanhaém, e Sílvio Faria, Colégio Amorim SP

O que significou para você, pessoal e profissionalmente, representar a sua escola e a rede Escola Azul nesse projeto?

O Colégio Amorim é uma Escola Azul desde 2021. Sempre realizamos trabalhos de difusão da Cultura Oceânica, mas representar minha escola na expedição foi maravilhoso. Fiquei muito honrado em representar toda a nossa comunidade escolar.

Como uma instituição de ensino pode se inscrever no programa Escola Azul?
Desenvolvendo projetos de Cultura Oceânica, e se inscrevendo através do programa Escola Azul do Maré de Ciência. Mais informações pelo link:
https://escolaazul.maredeciencia.eco.br/

Qual é sua área de formação e como ela se conecta com a temática da Cultura Oceânica e da Educação Ambiental?

Sou formado em Química, uma área diretamente conectada à Cultura Oceânica, tanto para a prevenção quanto para a busca de soluções para a resolução de problemas ambientais. A bordo do navio, minha formação específica foi essencial para a interação com os militares e pesquisadores.

Como coordenador de Olimpíadas Científicas, espero um dia poder colaborar com Olimpíadas de Ciências e Cultura Oceânica, na criação de questões com base na Expedição Escola Azul.

Como era a rotina a bordo do navio?

A rotina do navio seguia as normas da Marinha do Brasil. A alvorada era às 7h da manhã, sempre com um boletim do tempo, condições do mar e a distância de algum ponto aleatório relevante para aquele dia. Por exemplo, após a vitória do Flamengo sobre o Estudiantes da Argentina, o ponto de referência foi o estádio. Também era avisado o cardápio do dia na “Nossa Fábrica de Delícias” (nome dado à cozinha do navio) e as demais ações e/ou pesquisas. Usávamos internet Starlink, e às 22h ocorria o toque de silêncio.

Que tipo de pesquisas e experimentos você pôde acompanhar durante a travessia entre Niterói e Fortaleza?

Durante a Expedição Escola Azul, foi possível acompanhar o lançamento de boias hidroceanográficas nas Bacias de Santos e Campos.

Uma dessas boias era um veleiro autônomo que navegará pela região da Bacia de Campos, coletando dados.

Foi muito legal acompanhar os lançamentos das boias — uma experiência única!
Vale ressaltar a importância dessas boias para pesquisadores, meteorologistas, pescadores e para a população em geral.

Quais momentos mais marcaram essa vivência — algum experimento, conversa com cientistas ou paisagem inesquecível?

O avistamento de baleias e golfinhos próximo ao arquipélago de Abrolhos.
Conhecer os equipamentos responsáveis pela batimetria (estudos hidrográficos) realizada pelo Vital de Oliveira.

Conhecer os instrumentos que realizam a coleta de água e solo para análise.
E participar de uma cerimônia militar em alto-mar, ao pôr do sol — foi lindo e muito simbólico!
Acho que são os quatro pontos mais marcantes, mas foram muitos momentos incríveis.

Houve algo que o surpreendeu sobre o trabalho científico no mar ou sobre as condições do oceano brasileiro?

A limitação de recursos e a falta de divulgação da importância do trabalho dos hidrógrafos e oceanógrafos.

Uma bela surpresa foi entender a importância das pesquisas hidroceanográficas para a manutenção e ampliação de nossas fronteiras marítimas.

Como você pretende transformar essa experiência em atividades pedagógicas para seus alunos?


Durante a expedição, consegui criar oito roteiros de aulas práticas de Química/Ciências com base em atividades que realizamos no navio — experimentos simples, porém que possibilitam o entendimento de processos mais complexos.
Já estou colocando em prática essas atividades, e os alunos curtiram muito.
Além desses roteiros, foram criados fanzines sobre o navio e a Cultura Oceânica.

Quais ideias ou projetos você já tem em mente para inserir o conhecimento oceânico no currículo da escola?

No nosso colégio já temos um trabalho intenso sobre Cultura Oceânica. Temos 13 alunas que são Embaixadoras do Oceano.

Durante a viagem, criei um “diário de bordo” para que as Embaixadoras e os demais professores de Ciências possam contextualizar a expedição com atividades em suas ações e aulas.

Que aprendizados você leva sobre o trabalho colaborativo entre cientistas, educadores e instituições públicas?

O quanto realizar a difusão da ciência é essencial para todos.
A necessidade de trabalhar a Cultura Oceânica em qualquer escola, mesmo que essa escola não seja da região litorânea. E a importância da Marinha do Brasil para a soberania de nosso país.

Que mensagem você deixaria para outros professores que sonham em participar de missões como essa?

Aproveitem cada minuto, cada oportunidade. Perguntem, interajam, sejam curiosos e proativos, pois é algo muito especial!

Essa experiência mudou minha vida profissional e a minha forma de dar aula.

Se pudesse resumir essa experiência em uma palavra ou frase, qual seria?
Expedição fantástica! A maior aventura da minha jornada como profissional da educação!

“A maior aventura da minha jornada como profissional da educação!”, professor Sílvio Faria.

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