O Cometa 3I/ATLAS e o Valor das Fontes Confiáveis na Era da Desinformação

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Tibérius Drumond

De: Rodrigo Raffa*, professor de Física, Programação e Robótica

Desde a descoberta do 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar a cruzar nosso Sistema Solar, o fascínio — e infelizmente, também a desinformação — se espalharam rapidamente pela internet. Por se tratar de um corpo recém-descoberto, pequeno e extremamente distante, suas propriedades químicas e geométricas ainda estavam sendo analisadas. Mesmo assim, conforme dados preliminares (ainda sem revisão por pares) começaram a ser disponibilizados por instituições sérias, como a NASA, interpretações equivocadas não demoraram a surgir.

Imagem do cometa capturada pelo telescópio espacial Hubble no passado dia 21 de julho. – EP

Alguns perfis desinformados — e outros deliberadamente sensacionalistas — passaram a afirmar que o 3I/ATLAS poderia ser uma nave alienígena. Contudo, desde o início, as análises científicas indicavam com cerca de 90% de confiança que se tratava de um cometa. Mesmo declarações isoladas e distorcidas de certos pesquisadores de universidades renomadas, como Harvard, foram usadas fora de contexto para alimentar o mito.

Nós, do Clube de Astronomia Centauri, acompanhamos de perto as publicações científicas sobre o objeto e sempre destacamos que o 3I/ATLAS é um cometa natural, não uma estrutura artificial. Hoje, 29 de outubro de 2025, o cometa atinge o periélio, o ponto mais próximo do Sol em sua trajetória, e nada do que foi especulado sobre possíveis “ataques” ou “colisões” se confirmou — exatamente como já havíamos previsto.

O 3I/ATLAS nunca representou qualquer ameaça à Terra. A verdadeira ameaça é a desinformação, que viaja muito mais rápido que a luz — e, certamente, mais rápido do que a verdade. Publicações falsas, sensacionalistas e descontextualizadas alcançam milhões de pessoas antes que fontes sérias consigam corrigi-las.

Por isso, é fundamental que cada um de nós aprenda a reconhecer fontes confiáveis. Ciência não se mede por número de seguidores, mas por método, revisão, transparência e responsabilidade. Antes de compartilhar algo, verifique quem publica, de onde vêm os dados e se há consenso científico. Só assim podemos garantir que o conhecimento — e não o medo — continue guiando nossa jornada pelo cosmos.

(*) Rodrigo Felipe Raffa é professor de Física e de Programação e Robótica no SESI Itapetininga desde 2021. Formado em Física e mestre em Ensino de Física pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é fundador e diretor do Clube de Astronomia Centauri, onde lidera projetos de divulgação científica, educação tecnológica e incentivo à participação estudantil em olimpíadas de conhecimento. Também é criador e apresentador do CentauriCast, o podcast oficial do Clube Centauri, dedicado à popularização da astronomia e das ciências do espaço.

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